Nicolau Santos, Presidente do Conselho de Administração da RTP, admitiu que a estação pública sofreu “uma enorme pressão” para não participar no Festival Eurovisão 2026 devido à presença de Israel. Fê-lo na Comissão Parlamentar de Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto, que teve lugar esta segunda-feira.

“A RTP, em Assembleia Geral da EBU/UER, votou pela mudança do sistema de votação, que permite ter uma maior transparência e maior controlo”, afirmou Nicolau Santos, citado pelo site “ESC Portugal” (dedicado a assuntos do Festival da Canção e da Eurovisão) em resposta ao partido Chega, que questionou a neutralidade da transmissão do concerto “Juntos por Gaza”, transmitido pela RTP. O responsável máximo pela televisão pública defende que do resultado positivo da votação se conclui que “a Eurovisão contaria com todos os que quisessem participar, incluindo Israel”.

Cinco países (Espanha, Eslovénia, Irlanda, Islândia e Países Baixos) boicotaram a edição deste ano do Festival da Eurovisão, que terá lugar em Viena (Áustria) em maio. A participação de Israel está envolta em polémica, na sequência das ações militares em Gaza. A RTP mantém a sua posição de participar no Festival Eurovisão da Canção apesar da contestação à participação de Israel manifestada pela ­maior parte dos concorrentes ao Festival da Canção, entre os quais a banda Bateu Matou e a cantora Cristina Branco, que os levou a anunciar o boicote ao certame nacional.

“Apesar da proibição de participação da Rússia na edição de 2022 da Eurovisão por motivos políticos (a invasão da Ucrânia), foi com espanto que constatámos que não foi dado o mesmo destino a Is­rael, que está, segundo a ONU, a cometer atos de genocídio contra os palestinianos em Gaza”, disseram esses músicos e autores num comunicado em que anunciaram a “recusa em participar no Festival Eurovisão da Canção de 2026 caso sejamos representantes da canção vencedora do Festival da Canção em março”.

Fonte oficial da empresa disse em dezembro ao Expresso que “a RTP vai organizar o Festival da Canção e estará no Festival da Eurovisão. Se não for com o concorrente que ficar em primeiro lugar no Festival da Canção, poderá recorrer a outros participantes”. Isto porque, na eventualidade de um dos participantes que contesta a participação israelita vencer a competição nacional e tomar a decisão de não ir à europeia, “os regulamentos permitem que a RTP pergunte a outros concorrentes que, por exemplo, fiquem em segundo ou em terceiro se querem ir”, explicou a mesma fonte.