07/01/2026 – 12:23
Análise de fósseis encontrados no Chade (centro-norte da África) indica que o macaco Sahelanthropus tchadensis caminhava sobre duas pernas. A descoberta, publicada na revista Science Advances, posiciona a espécie como um dos membros mais antigos da linhagem humana.
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Pesquisadores da Universidade de Nova York (NYU) utilizaram imagens 3D para analisar ossos da coxa e do antebraço.
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A presença de um ligamento potente no fêmur comprova a estabilidade necessária para a marcha bípede.
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O estudo reforça a tese de que o bipedalismo evoluiu precocemente, logo após a separação dos ancestrais de humanos e chimpanzés.
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A espécie habitava o deserto do Djurab, no norte do Chade, em um período de transição evolutiva.
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Uma nova evidência científica publicada na revista Science Advances soluciona um debate de décadas sobre a origem da locomoção humana. A análise detalhada dos restos mortais do Sahelanthropus tchadensis, encontrados no início dos anos 2000 no deserto do Djurab, no Chade, confirma que a espécie era capaz de caminhar sobre duas pernas. O estudo foi liderado por Scott Williams, professor associado do Departamento de Antropologia da NYU.
Para chegar à conclusão, a equipe de pesquisadores utilizou técnicas avançadas de imagem em três dimensões e comparou a estrutura óssea do fóssil com a de espécies vivas e de hominídeos famosos, como o fóssil Lucy. A descoberta desafia interpretações anteriores que sugeriam que o bipedalismo seria uma característica de espécies mais recentes.
Adaptação e estrutura física
Diferente de grandes primatas contemporâneos, o Sahelanthropus apresentava características anatômicas específicas para a vida no solo, sem abandonar completamente o ambiente arbóreo. “O Sahelanthropus tchadensis era essencialmente um macaco bípede que possuía um cérebro do tamanho do de um chimpanzé e provavelmente passava uma parte significativa do seu tempo em árvores, procurando alimento e segurança”, explicou Williams.
A principal evidência funcional reside no fêmur: o estudo identificou um tubérculo femoral distinto, ponto de fixação do ligamento iliofemoral. Trata-se do maior e mais potente ligamento do corpo humano, essencial para estabilizar o quadril durante o movimento da marcha. Embora as pernas fossem curtas e guardassem semelhanças com as dos chimpanzés, a musculatura glútea era forte e compatível com a de hominídeos primitivos.
Evolução da linhagem humana
Até então, parte da comunidade científica defendia que o animal se locomovia de quatro, apoiando-se nos nós dos dedos (knuckle-walking), como gorilas. A pesquisa atual, no entanto, demonstra que o bipedalismo surgiu em um ancestral muito próximo ao tronco comum que deu origem aos chimpanzés e bonobos modernos.
“Nossa análise oferece evidências diretas de que o bipedalismo evoluiu cedo em nossa linhagem e a partir de um ancestral semelhante aos primatas de hoje.”
O trabalho de Williams e sua equipe coloca o Sahelanthropus como um elo central na história da humanidade. Ao confirmar que a espécie habitava o solo de forma ereta há 7 milhões de anos, a ciência redefine o cronograma das adaptações evolutivas que permitiram o surgimento de gêneros posteriores, como o Homo erectus e o Homo sapiens.