O último ato de Brigitte Bardot em Saint-Tropez reuniu familiares, amigos e admiradores numa despedida marcada por música, emoção e homenagem aos animais. O cortejo fúnebre do ícone do cinema francês percorreu o porto ao som dos Gypsy Kings, banda que a atriz admirava desde os anos 80. O caixão, feito em vime trançado, foi recebido pelo filho Nicolas-Jacques Charrier e pela neta Théa, acompanhados por familiares e amigos próximos. Centenas de moradores e admiradores acompanharam a cerimónia através de ecrãs instalados no porto e nas praças da cidade, aplaudindo em silêncio e recordando a mulher que transformou Saint-Tropez numa referência internacional de glamour.

Caixão era feito em vime traçado (Foto: Sebastien Nogier / EPA)

Nicolas-Jacques Charrier, único filho da atriz, acompanhou as cerimónias (Foto: Thibaud Moritz / AFP)

Durante a missa, celebrada pelo padre Jean-Paul Gouarin, ouviu-se “Panis Angelicus”, cantado por Mireille Mathieu, e “Ave Maria”, de Gounod, interpretada por Vincent Niclo. Max Guazzini, secretário-geral da Fundação Brigitte Bardot, evocou com emoção a atriz, que nos últimos anos se dedicou à causa animal: “A tristeza é avassaladora. Todos os animais que ela salvou e amou formam uma procissão atrás dela… Milhares de animais dizem: Brigitte, vamos sentir a tua falta, nós te amamos muito, obrigada.”



Centenas de fãs despediram-se de Bardot (Foto: Sebastien Nogier / EPA)

Depois de uma homenagem aberta a moradores e admiradores numa praça junto ao porto da cidade, Brigitte Bardot foi, esta quarta-feira, sepultada em total privacidade no cemitério marítimo de Saint-Tropez, junto aos seus pais. As flores na igreja, simples e coloridas, seguiram o gosto da atriz, sem rosas. Entre os presentes estiveram a líder da extrema-direita francesa, Marine Le Pen, e o ativista pelos direitos dos animais Paul Watson, enquanto o presidente francês, Emmanuel Macron, não compareceu, apesar de ter proposto um tributo oficial. Nos últimos anos, Bardot abraçou o ideário da extrema-direita, visando sobretudo a comunidade muçulmana.

Marine Le Pen na chegada ao funeral (Foto: Sebastien Nogier / EPA)

Despedida na cidade de eleição

Nos últimos dias, pequenos rituais mantiveram-se junto da atriz em La Madrague, a sua casa em Saint-Tropez. O marido, Bernard d’Ormale, revelou à revista “Paris Match” que Bardot faleceu de cancro, após ter sido submetida a duas cirurgias e meses de sofrimento físico. “Nunca a deixei sozinha. Estive sempre ao lado dela, com o apoio discreto de enfermeiras que vinham todos os dias”, contou, recordando a serenidade da atriz nos momentos finais. Na manhã da morte, Bardot pronunciou “Pioupiou”, o apelido carinhoso que usavam entre si. “Depois disso, acabou. Um sentimento de paz tomou conta do seu rosto. Estava incrivelmente bonita, como na juventude.”

Ícone do cinema francês e símbolo de sensualidade dos anos 50 e 60, Brigitte Bardot retirou-se do cinema em 1973, aos 39 anos, para se dedicar à defesa dos direitos dos animais. Apesar de polémicas, Saint-Tropez continuará a vê-la como a sua mais deslumbrante embaixadora e como a mulher que encontrou ali um refúgio da fama que a tornou conhecida mundialmente.