Espanhol de nascimento, uruguaio como nacionalidade futebolística, Rodrigo Zalazar já não é nenhuma novidade no futebol português. Ele já anda a animar o ataque do Sp. Braga há duas épocas e meia, discretamente a afirmar-se como um dos melhores jogadores estrangeiros em Portugal – se alguém perguntar por ele, António Salvador vai pedir muito. De certeza que José Mourinho gostaria de ter um jogador destes no Benfica. Não só faria a diferença nos “encarnados”, como não estaria do outro lado a fazer o que fez nesta quarta-feira em Leiria. Um golo e uma assistência no triunfo por 3-1 do Sp. Braga que valeu o bilhete para uma inédita final minhota da Taça da Liga com o Vitória de Guimarães.
Dez dias depois do confronto para o campeonato que deu empate (2-2), Sp. Braga e Benfica voltavam a defrontar-se, desta vez para aceder a uma final, e o plano parecia igual em ambos, Sp. Braga a apostar num controlo do jogo através da posse, Benfica a povoar o jogo com médios (nada menos que cinco), esperando que pudesse ser o suficiente para provocar o erro dos minhotos na construção. E era aqui que estava a diferença – Carlos Vincens tinha criatividade para meter em prática o seu plano, Mourinho só tinha músculo.
A primeira aproximação com perigo até foi do Benfica, logo aos 4’, com uma incursão de Dedic pela direita que resultou num cruzamento para Pavlidis – o grego visou a baliza, Hornicek fez uma grande defesa. Foi o único grande momento ofensivo do Benfica na primeira parte. Depois, só deu Sp. Braga, ou melhor, só deu Zalazar. O primeiro grande susto provocado pelo internacional uruguaio aconteceu aos 9’. Furou pela defesa “encarnada” e, à entrada da área, foi derrubado por Otamendi – a primeira decisão de João Pinheiro foi assinalar penálti, mas as imagens mostraram que a falta (clara) foi fora da área.
O golo não iria demorar muito mais. Aos 19’, Zalazar, lançado por Lagerbielke, disparou pelo flanco direito, encarou Otamendi com descaramento e meteu a bola na área. Tomás Araújo estava na patrulha, leu mal o lance e deixou Pau Victor à vontade para fazer o 1-0 com um remate cruzado sem hipótese para Trubin. Mais um golo do ex-Barcelona, o seu oitavo da época, mas todo o mérito da jogada doi do criativo uruguaio. E ele não iria ficar por aqui.
Aos 33’, foi o próprio Zalazar que pegou na bola e decidiu que tinha de ser ele a decidir sozinho. A partir do seu próprio meio-campo, o sul-americano desenhou uma rota até à baliza do Benfica e ninguém o conseguiu parar. Sudakov foi pendurado nas costas dele, mas nunca conseguiu fazer nada, nem Otamendi, que estava condicionado por um amarelo. Zalazar chegou à área e fez o 2-0 para o Sp. Braga. Justo para o que o Sp. Braga tinha feito e para o que o Benfica não tinha arte para fazer.
Alguma coisa terá dito Mourinho ao intervalo, que o Benfica entrou com outra urgência. E com Prestianni (um avançado!) no lugar de Manu. Essa vontade aproximou o Benfica da baliza de Hornicek e do golo. Aos 62’, depois de uma falta de Paulo Oliveira sobre Pavlidis castigada com penálti, foi o grego a assumir a conversão e a marcar o 2-1, dando uma vida extra ao Benfica nesta meia-final. Mas os “encarnados” não fizeram nada com ela.
Foi o Sp. Braga a chegar ao 3-1, aos 81′, numa recarga de Lagerbielke a uma defesa de Trubin ao que seria um autogolo de Araújo. E o Benfica, que já não tinha muito para dar, deixou o jogo seguir o seu curso – e ainda perdeu Otamendi, expulso com segundo amarelo aos 89′, para o jogo da Taça com o FC Porto. Este jogo Mourinho não vai dizer que ganhou. Perdeu e perdeu bem.