Um dos navios navegava sob bandeira russa e foi apreendido no Atlântico Norte. Anteriormente conhecido como “Bella 1” e agora registado como “Marinera”, tem sido perseguido pela Guarda Costeira dos EUA e outras unidades militares.

Reprodução/X US European Command
As Forças Armadas dos Estados Unidos apreenderam esta quarta-feira dois petroleiros – um com bandeira russa – que tinham atracado ou estavam a caminho na Venezuela. As operações aconteceram ao nascer do dia e com poucas horas de diferença entre si.
O Comando Europeu dos EUA (EUCOM) anunciou, em comunicado divulgado nas redes sociais, a apreensão do navio mercante “Bella 1” por “violações das sanções norte-americanas”, confirmando notícias veiculadas por media norte-americanos.
A embarcação vinha a ser seguida pelo navio patrulha da Guarda Costeira “USCGC Munro” e foi intercetada no Atlântico Norte, entre a Escócia e a Islândia, ao abrigo de um mandado emitido por um tribunal federal norte-americano.
O “Bella 1” – rebatizado posteriormente como “Marinera” e registado sob bandeira russa – estava a ser procurado desde o mês passado, após ter tentado contornar um bloqueio imposto pelos EUA a petroleiros sancionados à volta da Venezuela.
O navio tinha sido sancionado em 2024 por alegadamente contrabandear carga para uma empresa com ligações ao grupo militante libanês Hezbollah, apoiado pelo Irão, indicaram autoridades norte-americanas.
Reino Unido deu apoio à operação norte-americana
O Reino Unido, através do Ministério da Defesa, confirmou posteriormente que prestou apoio à operação norte-americana no Atlântico Norte.
Segundo petroleiro apreendido nas Caraíbas
Também hoje, a secretária de Segurança Interna norte-americana, Kristi Noem, disse que as forças norte-americanas também assumiram o controlo do petroleiro “Sophia” no mar das Caraíbas.
De acordo com Noem, ambos os navios estavam “ou atracados na Venezuela ou a caminho dela” antes das respetivas apreensões.
Fontes oficiais relataram que, após a captura, o “Bella 1/Marinera” foi entregue às autoridades policiais dos EUA, num processo que decorreu sem incidentes significativos.
Dados de rastreamento marítimo de código aberto mostraram a embarcação a navegar para norte antes de ser intercetada, e agentes de vigilância aérea norte-americanos e da Royal Air Force britânica sobrevoaram a área durante a operação.
Rússia denuncia violação do direito marítimo
O Ministério russo dos Negócios Estrangeiros afirmou que acompanha a situação “com preocupação”, considerando desproporcional a atenção militar conferida ao navio, que, segundo Moscovo, tem estatuto pacífico.
Moscovo considera que a apreensão do petroleiro pelos Estados Unidos viola o direito marítimo e defende que nenhum país tem o direito de usar a força contra navios de outro Estado.
Nos últimos dias, responsáveis do Governo norte-americano afirmaram que pretendem continuar a apreender embarcações sancionadas com ligações ao país.
“Estamos a cumprir as leis americanas relativas às sanções ao petróleo”, disse o secretário de Estado, Marco Rubio, à estação televisiva NBC, no domingo.
“Vamos a tribunal. Obtemos um mandado. Apreendemos estes barcos com petróleo. E isto vai continuar”, assegurou o chefe da diplomacia dos Estados Unidos.