As tatuagens tornaram-se cada vez mais comuns, mas especialistas alertam que os seus efeitos no organismo podem ir além da pele. Estudos recentes indicam que as tintas usadas nas tatuagens interagem com o sistema imunitário de formas que ainda estão a ser estudadas, levantando novas preocupações sobre possíveis impactos na saúde a longo prazo.

Citado pelo site Science Alert, de acordo com a investigação científica, a tinta não permanece apenas no local onde é aplicada. As partículas de pigmento são reconhecidas pelo organismo como corpos estranhos e acabam por ficar retidas em células do sistema imunitário. Algumas conseguem mesmo deslocar-se através do sistema linfático e acumular-se nos gânglios linfáticos, estruturas essenciais para a defesa do corpo.

Outro ponto de alerta está na composição das tintas. Muitos pigmentos foram originalmente criados para uso industrial, como tintas automóveis ou plásticos, e podem conter metais pesados e compostos químicos potencialmente tóxicos. Certas cores, como o vermelho, o amarelo e o laranja, estão mais associadas a reações alérgicas e inflamações persistentes, que podem surgir meses ou até anos depois da tatuagem.

Há ainda indícios de que os pigmentos podem interferir com a resposta do sistema imunitário, incluindo a eficácia de algumas vacinas, embora os especialistas sublinhem que isto não significa que as tatuagens tornem as vacinas inseguras. O risco maior parece estar relacionado com a inflamação crónica e a exposição acumulada a estas substâncias ao longo do tempo.

Apesar de não existirem provas diretas de que as tatuagens causem cancro, os investigadores defendem mais estudos e uma regulamentação mais rigorosa das tintas. O alerta é claro: fazer uma tatuagem não é, para a maioria das pessoas, perigoso, mas não é isento de riscos. Informar-se bem, escolher estúdios certificados e estar atento a reações tardias continua a ser essencial.