O ex-ministro Duarte Cordeiro apelou esta quarta-feira à concentração dos votos da esquerda em António José Seguro, que consegue “salvaguardar preocupações” do eleitorado do Livre, PCP e BE, considerando “um desperdício” o voto de socialistas em Gouveia e Melo.
“António José Seguro tem conseguido envolver, em grande medida, o universo de simpatizantes, de apoiantes do PS na última década. Tem sido visível nas ações de campanha, tem demonstrado essa capacidade e a expectativa que existe é que continue em crescendo, reunindo, de alguma maneira, a ideia de que é, talvez, o candidato que tem maior capacidade, sendo presidente, para equilibrar o sistema político nacional”, defendeu Duarte Cordeiro em declarações aos jornalistas no final de uma ação de campanha de Seguro sobre Ambiente.
O ex-ministro dos governos de António Costa considerou que “havia expectativas de alguns socialistas”, no início, de que outros candidatos, nomeadamente Henrique Gouveia e Melo, pudessem ter esse papel, o que considerou não ter acontecido.
Questionado sobre se será um erro que um socialista vote em Henrique Gouveia e Melo, Duarte Cordeiro respondeu ser “um desperdício” porque o almirante na reserva não preenche “esse espaço” e “até pode acontecer que não passe à segunda volta”.
“Da mesma maneira que eu acho que um voto político em Catarina Martins, Jorge Pinto ou António Filipe, neste contexto, acaba por contribuir para uma maior probabilidade de haver um Presidente da República no espaço político da direita, quando nos últimos 20 anos tivemos Presidentes da República com essa visão”, avisou.
Segundo o socialista, as preocupações políticas das candidaturas do “espaço político à esquerda” do candidato apoiado pelo PS, ou seja, do Livre, PCP e BE, “podem ficar tranquilas com o António José Seguro como uma personalidade política que salvaguarda algumas das suas preocupações”.
“Tentar passar uma ideia de António José Seguro como uma personalidade que, de alguma maneira, não se distingue de Luís Marques Mendes, eu acho que é uma ideia que não vinga junto das pessoas. As pessoas percebem que há diferenças”, enfatizou.