Três meses? Seis? Um ano? “Diria que muito mais. Só o tempo dirá.” Foi assim que Donald Trump respondeu, em entrevista ao The New York Times (NYT), sobre a influência e presença dos Estados Unidos na Venezuela, instaurada no passado sábado, depois de um ataque a Caracas e da captura de Nicolás Maduro. Apesar disso e das hostilidades públicas, assumiu que a relação com a Presidente interina Delcy Rodríguez, vice de Maduro, está a correr bem. “Estão a dar-nos tudo o que consideramos necessário”, contou.
Sobre o petróleo, o Presidente republicano assumiu querer “utilizá-lo, extraí-lo” para baixar os preços. “E vamos dar dinheiro à Venezuela, eles precisam desesperadamente”, disse, antes de relembrar que “eles nos roubaram o petróleo”, referindo-se ao início da nacionalização da indústria petrolífera da Venezuela em 1976. Como objectivo para o país sul-americano, resumiu: “reconstruir de forma muito lucrativa”.
O 47.º Presidente dos EUA voltou a referir os 30 a 50 milhões de barris de “petróleo sancionado” venezuelano que pretende receber e o início das negociações com executivos do sector petrolífero, que têm demonstrado reservas no optimismo do projecto.
“Não gostaria de falar” sobre o que o levaria a enviar forças militares norte-americanas para a Venezuela, nem quando confrontado com cenários hipotéticos, como a recusa venezuelana de expulsar pessoal russo e chinês ou um bloqueio ao acesso ao petróleo. No entanto, enaltece que o Governo interino está a tratar os EUA “muito bem”.
Os norte-americanos reconheceram a legitimidade de Delcy Rodríguez, acérrima apoiante de Chávez e Maduro, como Presidente interina. Sobre a escolha surpreendente, em detrimento da opositora e vencedora do Nobel da Paz María Corina Machado, foi evasivo. Mas garantiu que “Marco [Rubio, secretário de Estado dos EUA] fala com ela a toda a hora. Estamos em contacto constante com ela e com a administração”. Também se absteve de comentar o facto de não ter escolhido Edmundo González Urrutia, cuja vitória eleitoral, em 2024, foi reconhecida pelos EUA.
Sobre o ataque de sábado, demonstra orgulho, até porque assume tê-lo acompanhado dos treinos das forças “até à criação de uma réplica em tamanho real do complexo armado”.
“Não houve um Jimmy Carter a despenhar helicópteros por todo o lado [em referência a uma missão de resgate de soldados norte-americanos em Abril de 1980], nem um desastre do Afeganistão como o de Biden”, disse sobre a operação que, segundo os dados venezuelanos, matou pelo menos 100 pessoas.
Durante a entrevista, que durou cerca de duas horas, Trump terá atendido uma chamada de Gustavo Preto, Presidente da Colômbia, que lhe ligou “para explicar a situação de drogas” no país, em particular em zonas rurais, cita o jornal. Com a chamada, que permitiu que os jornalistas ouvissem em off, ficou satisfeito, porque acredita que foi a captura de Maduro que intimidou os líderes das regiões vizinhas “a alinharem-se”.
Apesar de o tema dominante ter sido a Venezuela, o líder republicano respondeu ainda a perguntas relacionadas com a guerra na Ucrânia, a Gronelândia, a morte de uma mulher às mãos do ICE em Mineápolis e eventuais remodelações na Casa. É expectável que a transcrição da totalidade da entrevista seja publicada pelo jornal norte-americano ainda esta quinta-feira.