Planear uma viagem é, cada vez mais, um exercício de estratégia. Com a inflação no setor do turismo e o fenómeno do “overtourism” em destinos clássicos, a pergunta “para onde ir” passou a ser secundária face a “quando ir”.
A resposta não é universal, mas graças aos relatórios de tendências da Skyscanner, Expedia e aos dados de algoritmos de previsão de preços como o Hopper, é possível mapear o calendário de 2026 para encontrar os momentos de maior valor.
Os meses de ouro para a carteira: novembro e janeiro
De acordo com o histórico de dados de reservas, novembro e a segunda quinzena de janeiro continuam a ser os meses mais baratos para voar a partir de Portugal.
Em 2026, o “efeito ressacas das festas” em janeiro faz com que a procura caia drasticamente, resultando em tarifas aéreas até 30% mais baixas para capitais europeias. Já novembro beneficia da “janela morta” entre as férias de outono e a azáfama do Natal. Se o objetivo é poupar, estas são as suas balizas.
A terça-feira continua a ser rainha?
Um estudo recente da Expedia revela que, embora a diferença de preço entre os dias da semana esteja a esbater-se devido ao trabalho remoto, partir a uma quarta-feira e reservar o voo ao domingo ainda pode poupar, em média, 15% nas tarifas internacionais.
![]()
Capadócia, na Turquia
Créditos: Mesut Kaya | Unsplash
O mito de reservar à terça-feira à noite caiu por terra; o segredo agora é a antecedência estratégica. Seja voos curtos (na Europa) ou longos, tente reservar com 4 a 6 semanas de antecedências.
A melhor altura por objetivo:
1. Para evitar multidões
O termo “época baixa” está a desaparecer, dando lugar às Shoulder Seasons (as estações de transição). Em 2026, os meses de maio e setembro são os vencedores absolutos. Porquê? Oferecem o equilíbrio perfeito entre o clima estável e a ausência das turismo obrigado devido ao calendário escolar. Em setembro de 2026, especificamente, espera-se que o Mediterrâneo mantenha temperaturas de água ideais, com preços de alojamento 20% inferiores aos de agosto.
2. Para garantir o melhor clima: o fator alterações climáticas
Os dados meteorológicos de 2025 mostraram que o verão tradicional (julho/agosto) no sul da Europa está a tornar-se “quente demais” para o turismo convencional. Em 2026, a tendência Coolcationing (viajar para o fresco) sugere que junho é o novo mês ideal para o sul da Europa, enquanto agosto deve ser reservado para o Norte da Europa, Escandinávia ou Alasca.
![]()
Manarola, Itália
Créditos: Linh Nguyen | Unsplash
3. Para experiências gastronómicas e culturais
Outubro é apontado pelos especialistas como o melhor mês para viagens focadas em cultura. É o mês das colheitas, das vindimas e dos festivais de gastronomia em toda a Europa. Os voos para destinos como Itália, França e o interior de Portugal estabilizam de preço após o pico de verão.
Existem “dias perfeitos” para viajar?
Se tivéssemos de escolher uma data única para uma viagem de alto valor em 2026, os dados apontam para a semana de 4 a 11 de maio. Isto porque foge às férias escolares, o clima é primaveril em quase todo o Hemisfério Norte e os preços de hotéis em destinos como as ilhas gregas ou a costa espanhola estão ainda em patamares de “pré-época”.
Evite o “efeito feriado”. Em 2026, como vimos, as pontes de junho e dezembro são tentadoras, mas são também as datas onde os algoritmos das companhias aéreas disparam os preços. Se puder, viaje na semana imediatamente após estas pontes.
Faça check-in ao domingo. Estadias de hotel que começam ao domingo costumam ser mais baratas, já que os viajantes de negócios ainda não chegaram e os de lazer estão a sair.