Centenas de agricultores e cerca de cem tractores furaram, nesta quinta-feira, os bloqueios das autoridades e posicionaram-se junto à Torre Eiffel e ao Arco do Triunfo, em Paris, contra o acordo da União Europeia (UE) com o Mercosul.
A Porte d’Auteuil é outro local de concentração dos trabalhadores rurais, organizados pelos principais sindicatos do sector desde a noite de quarta-feira, que temem a invasão da Europa por produtos concorrenciais e com menor controlo de produção oriundos da Argentina, Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai (Mercosul).
Os manifestantes protestam também face à gestão da crise da dermatose nodular contagiosa (DNC), uma doença viral que afecta principalmente gado bovino e espécies de ruminantes, transmitida por insectos.
Além da capital francesa, os agricultores realizaram ainda acções noutras zonas do país, por exemplo nos arredores de Bordéus (Sudoeste), com um bloqueio, desde quarta-feira, a um depósito de combustíveis em Bassens. Há ainda uma acção em curso na auto-estrada A9 nos Pirenéus Orientais, relata o Ici Perpignan, com os agricultores da Coordenação Rural e da Confederação Camponesa a revistarem camiões estrangeiros, com o objectivo de encontrar “carne e vinho” que não cumpram as normas.
Os líderes da Coordenação Rural, assim como os da Federação Nacional dos Sindicatos de Produtores Agrícolas (FNSEA), entre outras organizações, reuniram-se na segunda e na terça-feira com o primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, que, juntamente com todo o Governo, tentou conter os protestos, cuja preparação vinha em crescendo. Já nesta quinta-feira, o Ministério do Interior acusou os protestos de acarretarem “riscos totalmente imprudentes”.
Quarta-feira, houve ordem da direcção da polícia francesa para proibir o acesso de tractores a certas áreas sensíveis de Paris, incluindo o Palácio do Eliseu, à residência oficial do primeiro-ministro de Matignon, ao Parlamento, ministérios da Agricultura e da Transição Ecológica e o mercado de Rungis, entre outros.
Em Dezembro, especialmente no período que antecedeu o Natal, houve bloqueios de auto-estradas e estradas, no Sul de França, devido ao plano de contingência para combate à DNC, pois diversos sindicatos rejeitam o protocolo decidido pelo Governo que obriga ao abate de todos os animais de uma exploração pecuária quando é detectado um caso daquela doença.
A 18 de Dezembro, em plena reunião do Conselho Europeu em Bruxelas, um protesto semelhante, mas mais numeroso, com mais de cinco mil agricultores e cerca de 500 tractores, levou ao adiamento da assinatura do acordo UE-Mercosul.
A presidente da Comissão Europeia, a alemã Ursula von der Leyen, cancelou a viagem e formalização do entendimento, previstas para daí a dois dias, em Iguaçu.
Entretanto, foi agendada cerimónia semelhante para a próxima segunda-feira, uma vez que representantes da mais renitente Itália, assim como de França e Polónia, terão baixado as suas reservas iniciais sobre o acordo.