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A ambulância foi enviada de Carcavelos, localizada a 35 quilómetros de distância, apesar da vítima se encontrar na Margem Sul. Este é o segundo óbito registado em 48 horas devido a atrasos no socorro.

Horacio Villalobos
Uma idosa, com cerca de 70 anos, morreu esta quarta-feira na Quinta do Conde, em Sesimbra, depois de ter esperado cerca de 40 minutos por uma ambulância quando se encontrava em paragem cardiorrespiratória. É a segunda morte no espaço de 48 horas devido à demora no socorro.
Apesar de a mulher se encontrar na Margem Sul, os bombeiros acionados foram os de Carcavelos, a 35 quilómetros de distância. A ambulância saiu dois minutos depois da chamada, mas a distância levou à demora de 40 minutos.
A denúncia é feita pelos próprios bombeiros de Carcavelos, nas redes sociais, que lembram que, neste tipo de situações, “cada minuto é determinante”.
“Apesar da pronta saída do quartel, a distância entre as duas localidades condicionou inevitavelmente o tempo de chegada ao local. Em situações de PCR, cada minuto é determinante — por cada minuto que passa sem manobras de reanimação, a vítima perde cerca de 10% de hipóteses de sobrevivência”, sublinha a corporação.
Como alertam os bombeiros, este tipo de ocorrência “relembra-nos a importância dos tempos de resposta e da proximidade dos meios de socorro” porque “mesmo com a melhor preparação técnica e humana, a distância é um fator crítico na probabilidade de sucesso da reanimação”.
O envio de ambulâncias para a Margem Sul é recorrente. A Liga dos Bombeiros pede ao Governo que volte a ativar o reforço de ambulâncias, neste período crítico em que há sobretudo muitas infeções respiratórias.
Bombeiros de Carcavelos acionados regularmente para a Margem Sul
Em entrevista à SIC Notícias, António Canento afirma que os Bombeiros de Carcavelos são acionados regularmente para a Margem Sul, em particular nas últimas semanas.
“Não deveria ser normal, mas já acontece com alguma regularidade”, assume o 2.º comandante.
A justificação dada à corporação é de que “as ambulâncias mais próximas ficam retidas nos hospitais porque os hospitais supostamente não têm capacidade de alojar os doentes acamados”, por isso têm de recorrer a corporações mais distantes.
“Nós fomos acionados às 14 horas, chegámos ao local às 14h44 e a equipa encontrou uma vítima em paragem cardiorrespiratória”, explica Canento.
Além da ambulância dos bombeiros de Carcavelos, o INEM acionou também uma “viatura médica e a autoridade também já estava a caminho do local”.
O óbito acabou por ser declarado no local pela equipa médica do INEM.

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Segundo caso em 48 horas
Este é o segundo caso de uma morte em contexto de espera por uma ambulância para o socorro.
Esta quarta-feira, na sequência da morte de um homem, de 78 anos, que esperou quase três horas por uma ambulância, o presidente do INEM indicou que o que correu mal foi a indisponibilidade de ambulâncias para acorrer à situação.