Galp e Moeve vão criar uma das maiores redes ibéricas de postos de abastecimento e juntam esforços a nível industrial nas suas refinarias. Energética portuguesa diz que negócio vai permitir reforçar o seu foco na produção de petróleo e gás.

A Galp está em negociações com os espanhóis da Moeve para fundir as suas redes de postos e as suas atividades de refinação, anunciou hoje a companhia portuguesa.

As empresas chegaram a um acordo não-vinculativo para avançar com “discussões detalhadas sobre a potencial junção dos seus portefólios de Downstream, com o objetivo de criar duas empresas líderes de energia na Península Ibérica: a “RetailCo” e a “IndustrialCo””.

A Moeve é a antiga Cepsa, fica sediada em Madrid, e é controlado pelos emiratis da Mubadala e pelos americanos do Carlyle Group.

Esta junção vai permitir “consolidar ativos, capacidades e equipas complementares em Portugal e 0 Espanha, com o objetivo de reforçar escala, eficiência operacional e capacidade de investimento, apoiando simultaneamente a transição energética e fortalecendo a resiliência, fiabilidade e competitividade do sistema energético ibérico”.

“Esta transação irá potenciar uma estratégia clara consolidado, crescimento do free cash flow e aumento da capacidade de retorno de capital aos acionistas”, segundo comunicado hoje divulgado pela Galp.

A transação ainda está sujeita a mais negociações, incluindo um processo aprofundado de due dilligence e a aprovações internas. A conclusão também será sujeita a autorizações de reguladores, com o acordo final a ser esperado em meados de 2026.

A nova rede de postos de abastecimento vai criar um gigante ibérico com 3.500 estações e com vendas de produtos petrolíferos a clientes diretos na ordem dos 6,5 milhões de toneladas, dados de 2025.

Já a IndustrialCO junta a refinaria da Galp com duas da Cepsa e com a capacidade de processamento diário de 700 mil barris. Outra das atrações nesta vertente, é a junção dos novos projetos de baixo carbono da Galp em Sines, com o Vale de Hidrogénio Verde da Andaluzia que visa a criação de dois centros de produção de hidrogénio verde.

Esta fusão industrial vai posicionar a Ibéria como um “centro industrial competitivo e resiliente” com “escala, integração e capacidade para atrair investimento sustentado e avançar com a transição energética em setores difíceis de abater”.

Como empresas separadas, “ambos os negócios devem ser independentes financeiramente e estão bem posicionados para gerar sinergias e eficiências operacionais, perseguindo oportunidades e avançar com soluções de transição energética”.

Como fica a fusão?

  • No retalho, será criada uma das maiores redes de estações de serviço na Península Ibérica, “oferecendo maior escolha, serviços de conveniência reforçados e maior valor para os clientes”;
  • A nível industrial, serão integradas as atividades de refinação, trading, petroquímica e moléculas verdes (biocombustíveis e hidrogénio), “servindo clientes B2B com maior eficiência e competitividade global”;
  • A criação de escala e a capacidade de investir vai permitir”acelerar a transição energética europeia e construir a próxima geração de campeões energéticos europeus”.

A Galp diz que vai reforçar o seu foco em “gerar valor para os seus acionistas, alavancando as suas posições-chave no segmento de Upstream, com um portefólio altamente competitivo que se mantém como o motor central de crescimento da Empresa, em conjunto com os negócios de Renováveis e de Aprovisionamento & Trading de gás e eletricidade”.

A transação proposta permitirá à “Galp reforçar ainda mais o seu foco estratégico, mantendo-se simultaneamente como um acionista relevante nas duas novas plataformas de Downstream, alavancando as suas posições de excelência operacional”.

A ideia é criar duas plataformas energéticas ibéricas:

  • “uma plataforma de mobilidade focada no retalho de combustíveis (incluindo carregamento de veículos elétricos) e conveniência, para servir clientes B2C e apoiar o desenvolvimento de soluções de mobilidade de proximidade (RetailCo)”;
  • “uma plataforma industrial focada em refinação, petroquímica, trading e combustíveis de baixo carbono, ao serviço de clientes B2B (IndustrialCo)”.

Como fica a gestão das sociedades?

A RetailCo será controlada pela Galp e pelos acionistas da Moeve, com “participações acionistas equilibradas, assegurando o alinhamento contínuo em matéria de estratégia e decisões de investimento”.

A nova sociedade vai tornar-se numa das maiores operadoras de mobilidade da Península Ibérica, com uma rede com 3.500 postos de abastecimento, a maioria em Portugal e Espanha.

Já na IndustrialCo, a Galp vai manter uma participação minoritária significativa superior a 20%, “assegurando o alinhamento estratégico de longo prazo, enquanto permitirá à plataforma operar com a escala e o foco necessários para acelerar a transformação industrial”.

“Em particular, a IndustrialCo será concebida para desempenhar um papel central na atração de talento industrial e investimento de longo prazo para a região, bem como na aceleração da transformação de ativos existentes de refinação e industriais em hubs multi-energia integrados. Estes ativos apoiarão o desenvolvimento e a implementação de combustíveis e soluções de baixo carbono, contribuindo para a reindustrialização da Península Ibérica, reforçando a segurança energética e suportando os objetivos de descarbonização em setores de difícil abatimento.

E até o negócio ficar fechado?

Durante as negociações, a Galp e a Moeve vão continuar a operar como “empresas independentes, com plena continuidade das operações, do abastecimento e do serviço aos clientes em todas as atividades e geografias”.

Para o negócio ser fechado é preciso ainda proceder à “negociação e execução de acordos finais e vinculativos, às aprovações societárias necessárias e às autorizações regulatórias aplicáveis. Nesta fase, não foram tomadas decisões finais e não existem impactos nas operações em curso das empresas, nos seus colaboradores ou nas relações comerciais existentes”.

“A Galp e a Moeve comprometem-se a manter o mercado, os colaboradores e os restantes stakeholders relevantes informados, em conformidade com as respetivas obrigações legais e de divulgação de informação”, pode-se ler no comunicado divulgado.

O que dizem os responsáveis das duas empresas?

Em comunicado, a presidente do conselho de administração da Galp Paula Amorim disse: “Ao agregar as capacidades e a experiência complementares da Galp e da Moeve nas operações de Downstream, temos a oportunidade de criar grandes grupos europeus na Península Ibérica, cada um beneficiando de maior foco, alocação de capital ajustada e flexibilidade essencial para impulsionar um crescimento sustentável e gerador de valor. Acredito firmemente que esta oportunidade reforça a nossa capacidade de apoiar e promover uma transição energética justa, capaz de endereçar a evolução das necessidades do mercado e de assegurar um fornecimento de energia seguro e responsável à Península Ibérica.”

Já o CEO da Moeve Maarten Wetselaar afirmou: “Ao reunir excelência industrial, alcance das atividades de Downstream e um forte pipeline de projetos de baixo carbono, pretendemos atrair capital sustentado e acelerar a implementação de soluções que apoiem a competitividade, a descarbonização e o crescimento económico. Na Moeve acreditamos que o investimento disciplinado, a inovação tecnológica e as parcerias de longo prazo são essenciais para garantir que a transição energética se traduza em negócios prósperos e preparados para o futuro na região”.