Lip-Bu Tan, CEO da Intel

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Em março de 2025, quando o malaio Lip-Bu Tan assumiu a presidência da Intel, após um período sob liderança interina, já que Pat Gelsinger deixou a companhia em dezembro de 2024, o desafio era claro: “reconstruir estratégia, posicionamento e atuação”.

“A Intel tem uma plataforma de computação poderosa e diferenciada, uma vasta base instalada de clientes e uma robusta base de fabricação que está se fortalecendo a cada dia à medida que reconstruímos nosso roteiro de tecnologia de processo”, disse Tan à época.

Na prática, esse reposicionamento significou, nos últimos meses, redução da força de trabalho em até 25%, simplificação de hierarquia e, principalmente, uma parceria histórica com a NVIDIA, que investiu US$5 bilhões na Intel em setembro do ano passado. Além de um investimento de US$ 8,9 bilhões por parte do Governo Americano. O mercado respondeu positivamente elevando as ações da companhia em até 80% no acumulado do ano.

Divulgação Intel

Jim Johnson, vice-presidente sênior e gerente geral da Intel, apresentou o Panther Lake

Ainda de acordo com o executivo, a empresa “inaugura uma era de Inteligência Onipresente. Ao integrar hardware de última geração com software otimizado, estamos removendo as barreiras da computação moderna, permitindo que a IA seja eficiente e acessível em qualquer escala, do data center ao dispositivo final.”.

O início de uma nova era, com IA

E nesta semana, durante a CES 2026, maior feira de tecnologia do mundo, que ocorre em Las Vegas, Tan deu a notícia que o mercado esperava: o principal lançamento da empresa em anos. A Intel lançou os processadores Intel Core Ultra Série 3, a primeira plataforma de computação construída no Intel 18A, o processo de semicondutores mais avançado já desenvolvido e fabricado nos Estados Unidos. O Panther Lake, como é conhecido, foi desenvolvido para a era da inteligência artificial.

Em outras palavras, na tecnologia, quanto menor o “tamanho” dos componentes internos de um chip, mais deles cabem no mesmo espaço e menos energia eles gastam. O 18A é o nome da técnica de fabricação mais moderna da Intel. É como se a Intel tivesse aprendido a imprimir circuitos de forma tão minúscula e eficiente que agora consegue bater de frente com rivais como a TSMC (que fabrica os chips da Apple).

“A Intel reafirma sua capacidade de execução ao entregar marcos críticos de engenharia antes do prazo. O 18A não é apenas uma conquista técnica, é o símbolo de uma empresa que voltou a ditar o ritmo da inovação e a cumprir promessas estratégicas aos seus acionistas.”, disse Tan, durante a apresentação na CES.

Divulgação Intel

Série 3 do Intel Core Ultra, feito para a IA

Outro aspecto importante do lançamento foi que, até pouco tempo, para usar uma IA potente, seu computador precisava enviar dados para a nuvem. O Panther Lake vem com uma NPU (Unidade de Processamento Neural) muito mais forte. Isso permite que o PC consiga “pensar” e executar tarefas de IA (como criar imagens, transcrever áudios ou resumir textos) sozinho, sem depender da internet, de forma muito mais rápida e sem esquentar tanto.
“A nova Série 3 do Intel Core Ultra define o novo padrão de ouro para a produtividade empresarial. Estamos indo além do incremental para oferecer saltos de performance que transformam o que é possível na computação cliente, consolidando uma nova fronteira tecnológica para o mercado global.”, destacou Tan.

Perspectivas para Brasil e América Latina

Na CES 2026, a Positivo Tecnologia e a Intel anunciaram o lançamento dos primeiros AI PCs brasileiros equipados com os processadores Intel Core Ultra Série 3. Os novos notebooks da Positivo marcam a estreia nacional da tecnologia Intel 18A. Com essa inovação, os dispositivos atendem aos rigorosos requisitos da Microsoft para a categoria Copilot+ PC, garantindo que as tarefas de inteligência artificial ocorram de forma fluida e veloz diretamente no hardware do usuário.

“Esta parceria com a Intel representa o capítulo mais ambicioso da história da Positivo Tecnologia, pois nos coloca na vanguarda global da computação de alto desempenho”, afirma Helio Rotenberg, CEO da Positivo, para a Forbes Brasil. “Ao sermos pioneiros na implementação da tecnologia 18A no Brasil, não estamos apenas entregando hardware, mas democratizando o acesso à IA mais avançada do mundo para o mercado nacional. Segundo projeções recentes da IDC, o segmento de AI PCs deve liderar o crescimento do setor este ano, e nossa colaboração estratégica garante que o consumidor brasileiro tenha em mãos um produto com padrão de ouro em eficiência e produtividade, capaz de competir em pé de igualdade com qualquer player global.”

Gisselle Ruiz Lanza, Diretora Geral da Intel na América Latina, explica que a chegada da Série 3 do Intel Core Ultra ao mercado brasileiro, por meio da nossa sólida parceria com a Positivo, materializa nossa visão de levar a inteligência artificial para onde as pessoas realmente trabalham e criam”, destaca  “Ao integrar o revolucionário nó 18A, estamos entregando não apenas um chip, mas a espinha dorsal de uma nova era tecnológica. Este marco reflete nosso compromisso técnico e estratégico de capacitar a indústria local com o que há de mais sofisticado em semicondutores, garantindo que o Brasil não seja apenas um espectador, mas um protagonista na adoção global de PCs com IA de alta performance e eficiência energética sem precedentes.”

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