Apelidada de imediato pelo Presidente Donald Trump de “desordeira” e “agitadora profissional”, quem era afinal Renee Good, a mulher baleada mortalmente, nesta quarta-feira, por agentes da polícia federal norte-americana de imigração, o ICE? Renee Good tinha 37 anos, vivia em Mineápolis, a pouco quarteirões do local do crime, com o companheiro e o filho mais novo, confirmou a mãe, Donna Ganger, ao jornal The Minnesota Star Tribune, e o Conselho Municipal de Mineápolis em comunicado.
Donna Granger disse ao mesmo jornal que a filha era uma das pessoas mais gentis que conheceu e que “era extremamente bondosa”. “Cuidou das pessoas a vida toda. Era amorosa, compreensiva e carinhosa. Um ser humano incrível.”
“É tão estúpido”, avaliou Ganger, depois de saber das circunstâncias da morte por um jornalista. “Provavelmente, estava aterrorizada”, acrescentou. Ganger assegurou também que a Good “não estava envolvida em nada disto”, referindo-se aos manifestantes que protestavam contra os agentes do ICE.
“Ela teve uma boa vida, mas difícil”, referiu o pai, Tim Ganger, ao The Washington Post. “Era uma pessoa maravilhosa”, concluiu o progenitor.
Os protestos anti-ICE em Nova Iorque, após a morte de Renee Good
EPA/Olga Fedorova
Renee Good nasceu em Colorado Springs, no estado do Colorado, tinha três filhos, de 15, 12 e 6 anos. Estudou escrita criativa na Old Dominion University, em Norfolk, Virgínia, e recebeu o prémio de poesia para estudantes da universidade por On Learning to Dissect Fetal Pigs, em 2020.
A biografia do prémio de poesia caracteriza-a como uma escritora ávida e uma mãe dedicada. “Quando não está a escrever, a ler ou a falar sobre escrita, faz maratonas de filmes e cria arte com a filha e os dois filhos”, lê-se.
“Este é mais um exemplo claro de que o medo e a violência, infelizmente, se tornaram comuns na nossa nação”, disse o presidente da Old Dominion, Brian O. Hemphill, em comunicado ao WP. “Que a vida de Renee seja um lembrete do que nos une: liberdade, amor e paz”, acrescentou.
O Conselho Municipal de Mineápolis descreve Good como uma residente que “cuidava dos seus vizinhos”. A senadora Tina Smith, democrata pelo Minnesota, disse estar “de coração partido e furiosa” com a morte de Good, descrevendo-a como uma “cidadã norte-americana americana, mãe e residente nas Twin Cities”.
Na vigília que se seguiu à sua morte, os vizinhos caracterizaram-na como uma boa vizinha que protegia os outros. “Ela era pacífica, fazia a coisa certa”, disse ao The Minnesota Star Tribune Jaylani Hussein, director executivo do CAIR-MN (uma organização que trabalha na defesa dos direitos civis, dedicada a capacitar os muçulmanos americanos e as comunidades marginalizadas em todo o estado do Minnesota). “Ela morreu porque amava os seus vizinhos.”
Já os membros da Administração de Donald Trump acusam-na de “um acto de terrorismo doméstico”, argumentando que os agentes responderam a uma ameaça de atropelamento, versão dada também pelas autoridades federais, que alegam que os tiros foram disparados em legítima defesa, acusando a mulher de ter tentado usar o seu veículo para atropelar agentes — versão veementemente contestada pelas autoridades locais.
O governador do Minnesota, Tim Walz (democrata), culpou a Administração Trump pelo incidente, ecoando a frustração dos residentes locais com o aumento das acções federais de imigração em Mineápolis. “Há semanas que alertamos que as operações perigosas da Administração Trump representam uma ameaça à segurança pública e que alguém iria ficar ferido”, disse numa conferência de imprensa na tarde de quarta-feira. O presidente da Câmara de Mineápolis, Jacob Frey (democrata), ressaltou, segundo o WP, que o vídeo do incidente mostra “um agente a usar o poder de forma imprudente, o que resultou na morte de alguém”.