Europa com perdas contidas afasta-se de máximos. Dona da Primark tomba 12% com “profit warning”


Os principais índices europeus negoceiam com uma maioria de perdas contidas nesta quinta-feira, à medida que o Stoxx 600 se afasta de máximos históricos atingidos na sessão de terça-feira, com a recuperação dos ativos de risco registada no arranque do ano a perder gás.


O índice Stoxx 600 – de referência para a Europa – recua neste momento 0,25%, para os 603,50 pontos.


Quanto aos principais índices da Europa Ocidental, o alemão DAX avança 0,07%, o espanhol IBEX 35 cai 0,05%, o italiano FTSEMIB desvaloriza 0,07%, o francês CAC-40 cede 0,21%, o britânico FTSE 100 cai 0,16%, ao passo que o neerlandês AEX perde 1,09%, pressionado pela queda de mais de 1,30% da tecnológica ASML – cotada mais valiosa da Europa.


As ações europeias estão a caminho de um segundo dia consecutivo de quedas, com os investidores a ponderarem os sinais económicos fracos dos EUA e as preocupações geopolíticas, enquanto mantêm o foco nos dados macroeconómicos europeus.


Pela positiva, destacam-se as ações da área da defesa e segurança, com um cabaz do Goldman Sachs de ações do setor a subir a esta hora quase 3%, depois de o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter ontem dito que planeia avançar com um grande aumento nos gastos militares dos EUA. A par disso, estas cotadas estão a beneficiar igualmente de um aumento da incerteza geopolítica, com os maiores ganhos a serem registados pela Rheinmetall (+3,67%), Leonardo (+1,81%) e Saab (+1,52%).


Ainda assim, estas valorizações não são suficientes para inverter a tendência de perdas que se regista na grande maioria dos índices do velho Continente. Depois de um início de ano que levou o “benchmark” europeu a máximos históricos, “o que estamos a ver hoje é realização de mais-valias”, disse à Bloomberg Daniel Murray, da EFG Asset Management. “Foram dias fortes para os mercados, um final de ano forte, e as ações europeias tiveram um desempenho particularmente bom”, acrescentou.


Os investidores seguem agora atentos à divulgação de diversos dados económicos pela região, enquanto aguardam igualmente pelos números dos pedidos de subsídio de desemprego nos EUA, que serão divulgados ainda hoje, e que deverão fornecer mais pistas sobre a saúde da maior economia do mundo. No geral, explica Murray, “os dados apontam para um mercado de trabalho que ainda parece bastante robusto, mesmo que talvez não seja tão robusto como há alguns meses”.


Entre os movimentos do mercado, a Associated British Foods, proprietária da Primark, está a tombar quase 12%, após ter emitido um “profit warning” devido a uma revisão em baixa das vendas.