Quem esteve presente, ou que temas se escutaram, dividiu atenções com um detalhe inesperado. Esta quarta-feira, em Saint-Tropez, nas “discretas” cerimónias fúnebres de B.B., a atriz francesa contou com um derradeiro e simbólico apontamento de moda, agora na sua urna, que surgiu envolvida numa estrutura de vime. Coberta por inúmeras flores coloridas não passou despercebida, de tal forma que o telefone da cestaria Candas, localizada em Le Boisle, nos Altos de França, começou a tocar com insistência. Do outro lado, procuravam-se pormenores sobre a peça de 195 centímetros de comprimento que deu entrada na igreja paroquial daquela localidade no sul de França.
Mireille Mathieu, Jean-Luc Reichmann, Paul Belmondo, ou Marine Le Pen, terão sido apenas alguns dos que ficaram surpresos com o efeito imprimido a este momento, mas que em tudo tem a ver com Brigitte Bardot e com algumas das suas icónicas escolhas e espírito inconformado com as regras e costumes. À semelhança da compatriota Jane Birkin, as cestas de verga foram um dos acessórios-chave no seu guarda-roupa e espelham como poucos o espírito estival da riviera francesa. O resultado, é um impacto tão original quanto luminoso, bem ao estilo da homenageada.

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De acordo com os fabricantes, citados pela revista Paris Match, esta cobertura de caixão, “feita de A a Z”, implicou dois dias intensivos de trabalho, até ser transportado para o sul do país para as exéquias fúnebres, percorrendo uma viagem de mais de 10 horas. Em termos de valores, a criação situa-se entre os 1.500 e os 2.000 euros. O que permanece desconhecido é de onde, ou de quem, surgiu esta ideia, já que o grupo Funico, agente responsável pelo serviço, não quis revelar mais pormenores sobre esta escolha.
“É um produto de que nos orgulhamos, aqui em Le Boisle, com os nossos artesãos (…) Esperamos que seja capaz de sustentar a nossa empresa e dar a conhecer o nosso know-how francês”, afirmou Xavier Quointeau, o gerente da Vannerie Candas, a cestaria especializada no fabrico de cestas de vime para o setor da panificação e pastelaria que recentemente diversificou a sua área de influência, apanhando boleia do contexto pós-Covid que trouxe desafios vários mas também o regresso a muitos ofícios manuais. Pelo menos para já, o efeito foi viral. “As fotos do caixão de Brigitte Bardot foram ao ar às 11h na TV, e às 11h10 recebemos as primeiras chamadas. Desde ontem não paramos de receber chamadas”, garante o responsável à France Info, que explorou mais o fundo o processo de fabrico, a que começaram a dedicar-se em outubro passado. Desde então, a empresa investida neste trabalho artesanal, e que até lançou uma pequena academia para formação na área, tem comercializado estas peças através da funerária Funico. “Alguns dias antes do funeral, tivemos informações sobre a escolha do caixão, mas, por respeito, escolhemos não divulgar nada antes da cerimónia”, descreve Quinteau.
Procurados por particulares e por outros agentes, o nível de celebritismo de Bardot pode ter ajudado a colocar a criação em definitivo no mapa, revolucionando as tradições fúnebres, mas é justo referir que não foi a primeira. A cestaria explica que há alguns meses venderam um modelo semelhante para Patrice de Colmont, figura bem conhecida em Ramatuelle, ao leme do mítico Clube 55. “Ele chegou a receber toda a equipa do filme ‘E Deus criou a mulher’. Era próximo de Brigitte Bardot. Talvez a família da atriz tenha visto o caixão no seu funeral”, admite.
O protótipo do modelo remonta ao começo de 2025 e foi batizado com o sugestivo nome “Le Bohémian”. Implicados neste processo estão, segundo os artesãos, 15 horas de trabalho, sobre 20 e 25 kg de material, todo ele colhido em território gaulês, na região da cestaria e ainda nas Ardenas.