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É fácil assumir que os adultos mais talentosos foram, em tempos, crianças sobredotadas. Mas um novo estudo revelou que, afinal, o talento durante a infância não é um indicador de sucesso posterior.

Mestres internacionais de xadrez, medalhados de ouro olímpicos e cientistas laureados com o Prémio Nobel raramente foram crianças prodígio. A conclusão é de uma revisão publicada recentemente na Science.

A mesma investigação também constatou que, paralelamente, os sucessos na primeira infância e os programas de treino intensivo raramente conduziram a desempenhos de topo a nível global no mundo adulto.

A análise – baseada em 19 estudos que envolveram quase 35.000 pessoas de elevado desempenho – mostra que a grande maioria dos adultos que lideram rankings mundiais na sua área de especialização cresceu a participar numa vasta gama de atividades, desenvolvendo apenas gradualmente a sua competência mais proficiente.

As conclusões contradizem a crença popular de que alcançar níveis máximos de desempenho internacional exige treino intensivo e altamente focado durante a infância.

Como escreve a New Scientist, muita investigação tem associado fortemente a intensidade do programa de treino de uma criança em atividades específicas – como a música e o atletismo – ao desempenho competitivo nessas atividades durante a adolescência ou no início da idade adulta. No entanto, estudos com atletas de classe mundial mais velhos mostraram tendências em sentido contrário.

Os estudos revistos incluíram análises das histórias de vida de atletas olímpicos, laureados com o Prémio Nobel nas ciências, jogadores de xadrez do top 10 mundial e os mais renomados compositores de música clássica, bem como líderes internacionais noutras áreas.

Ao longo de várias especialidades, os indivíduos de elevado desempenho precoce e os intérpretes de classe mundial mais tarde eram, em grande medida, pessoas diferentes. De facto, apenas cerca de 10% daqueles que se destacaram na idade adulta foram performers de topo na juventude, e apenas cerca de 10% dos melhores performers jovens vieram a destacar-se na idade adulta.

A revisão aborda uma lacuna de investigação antiga ao separar claramente o sucesso precoce do desempenho de elite a longo prazo, afirma, à New Scientist, David Feldon, da Utah State University. que não esteve envolvido no estudo.

O especialista aponta que existe uma tendência para incentivar as crianças a concentrarem-se intensamente na aprendizagem e prática de uma determinada competência: “Certamente desenvolve perícia e conduz a ganhos rápidos, mas não sei se é, em última análise, produtivo para as pessoas ao longo das suas vidas.”


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