ZAP // melissajoanhart / Instagram

As lojas de produtos em segunda mão já estão a receber doações de pessoas dececionadas com a qualidade dos presentes — que foram promovidos com  imagens enganadoras feitas com Inteligência Artificial.

Um número crescente de presentes de Natal promovidos com inteligência artificial já está a reaparecer nas prateleiras das lojas de segunda mão, depois deos compradores desiludidos afirmarem que os produtos pareciam muito melhores online do que na realidade.

Segundo o New York Post, os artigos, agora amplamente apelidados de “AI slop presents”, algo como “presentes de lama de IA“, tornaram-se um símbolo de como a inteligência artificial generativa está a remodelar e a distorcer as compras online.

“Slop” (algo como “lama”), eleito a Palavra do Ano 2025 pelo dicionário Merriam-Webster, refere-se a conteúdos digitais de baixa qualidade produzidos em massa por inteligência artificial e impulsionados para os consumidores através das redes sociais.

No mundo do retalho, o termo passou a descrever produtos cujas imagens de marketing são fortemente melhoradas ou totalmente geradas pela IA, criando expetativas irreais sobre a qualidade, o design ou até mesmo a funcionalidade básica.

Nas semanas após o Natal, começaram a circular vídeos no TikTok, Instagram e X a mostrar canecas, t-shirts, vestidos e artigos de novidade que pouco se assemelhavam aos produtos elegantes e detalhados anunciados online.

Um vídeo viral mostrava uma caneca barata, com um design que imitava uma pilha de livros, já à venda numa loja de usados ​​poucos dias depois do Natal. “Cinco dias depois do Natal e as canecas com imagens geradas por IA já estão na loja de segunda mão”, lê-se na legenda.

@princessfunnygirlwhat’s sad is I’ve seen much worse than this one♬ som original – Fleabag Brasil

As secções de comentários rapidamente se encheram de histórias semelhantes. Os utilizadores partilharam relatos de terem recebido canecas com gatos geradas por IA, roupas com padrões de baixa qualidade e outros presentes invulgares que pareciam frágeis ou inacabados.

Alguns observaram que os objetos mostrados “nem sequer eram os piores” exemplos que alguma vez tinham visto, enquanto outros expressaram compaixão pelos pais e avós que foram enganados por imagens online impecáveis.

“O que é triste é que as pessoas só queriam dar algo agradável a alguém que amam”, escreveu um comentador. “Elas viram uma fotografia e confiaram nela“.

O problema parece ter afetado as gerações mais velhas com mais intensidade, uma vez que estão menos familiarizadas com imagens geradas por IA e mais propensas a confiar em fotografias de produtos partilhadas em anúncios nas redes sociais. Muitos anúncios não informavam claramente que as imagens tinham sido criadas ou alteradas significativamente com IA, confundindo a linha ténue entre o exagero de marketing e o puro engano.

O fenómeno apanhou até as celebridades de surpresa. A atriz Melissa Joan Hart partilhou a sua própria experiência no Instagram, publicando fotografias lado a lado de um vestido que encomendou online e do artigo que recebeu.

O que encomendei… o que recebi!“, escreveu. Os comentários logo apontaram que, se até uma celebridade atenta à tecnologia podia ser enganada, os consumidores comuns tinham poucas hipóteses.

Os defensores dos direitos do consumidor alertam que, à medida que as ferramentas de IA generativa se tornam mais baratas e sofisticadas, as imagens enganosas dos produtos podem tornar-se cada vez mais comuns e será necessário um aperto à regulação e às leis de publicidade enganosa.


Subscreva a Newsletter ZAP


Siga-nos no WhatsApp


Siga-nos no Google News