O Sintrense iniciou uma nova era. Felix Kruger é agora o presidente da SAD do emblema que milita no Campeonato de Portugal. 7 de janeiro de 2026 foi o dia zero para a equipa do antigo coordenador desportivo do RB Leipzig, e o dia em que abriu as portas a A BOLA para revelar o projeto que pretende implementar num sítio pelo qual se apaixonou.

«Comprámos 75% da SAD do Sintrense. Inclui a equipa masculina principal e a equipa B, e a equipa feminina. Temos também uma opção para adquirir a equipa de juniores, que atualmente está na posse do clube. Para nós, é muito importante integrar essa equipa de transição no nosso grupo nalgum momento», começa por dizer.

Felix Kruger falando com A BOLA (Foto: Mariana Tenório)

A compra foi operada pela Blue Ocean Group (BOG), fundada por Felix e que «nas últimas seis semanas» teve «conversas muito produtivas» com a Nobias European Studios, «o grupo de proprietários liderado pelo Ricardo Oliveira e os seus parceiros», nos quais se incluía o ex-jogador Nani, que havia comprado 95% da SAD do Sintrense em julho de 2024.

Impacto imediato

A primeira grande medida da BOG foi a contratação de Carlos Pinto para o cargo de treinador e o foco é claro: «A curto prazo, queremos mantermo-nos no Campeonato de Portugal. É uma liga muito competitiva; estamos na zona de descida, mas, por outro lado, a apenas 11 pontos dos lugares de subida e ainda faltam 13 jogos.»

Kruger também explicou que existem «lacunas na profundidade da equipa» e que já existem «conversações para operar melhorias pontuais no plantel», sendo «provável» que se contratem «um ou dois jogadores» em janeiro. A realidade é que o Sintrense está a três pontos da primeira equipa fora da zona de despromoção da Série D, mas uma eventual descida de divisão não coloca um travão neste projeto.

«Os parâmetros que definimos inicialmente manter-se-ão os mesmos. Acreditamos muito no projeto. Obviamente, o sucesso do clube começa no campo, e é aí que entra a nossa experiência para fazermos a diferença, mas acreditamos que não vamos descer de divisão.

«Sintra tem algo de muito mágico»

Depois de sair do RB Leipzig em outubro de 2023, Felix conversou com muitos clubes, desde o Japão até ao Brasil, mas o Sintrense foi aquele em que decidiu investir. Como contou, foi amor à primeira vista.

«Quando vim a Sintra pela primeira vez, apaixonei-me pela cidade. Estamos aqui sentados e conseguimos ver o Palácio da Pena e esta vila maravilhosa; tem algo de muito mágico. Sintra é o segundo maior município de Portugal, recebe quatro milhões de turistas por ano e ainda não tem um projeto de futebol realmente sólido.»

Felix Kruger sentiu uma ligação imediata a Sintra e à equipa que agora preside (Foto: Mariana Tenório)

A solidez que tanto deseja alcançar passa pelo objetivo claro de atingir os patamares profissionais do futebol nacional. Mais do que isso, Feliz apena prefere ser «cauteloso em anunciar algo mais ambicioso». «Sintra e este projeto merecem estar no futebol profissional. É um grande desafio, até porque nenhuma equipa masculina de Sintra esteve na Liga», aponta.

A chave para o sucesso passa pela ligação com a comunidade local, ligação que promete ser revigorada com investimentos no estádio: «A infraestrutura já tem um nível muito alto para o que encontramos no ambiente próximo de Sintra. Queremos melhorar um pouco a experiência do futebol, criar uma experiência VIP no primeiro andar e camarotes para patrocinadores.»

Por fim, o berlinense, casado com uma brasileira, aproveitou para, em bom português, dizer que a BOG «está a criar algo especial em Sintra». «Estou aqui para ajudar. Vamos trabalhar, sempre juntos, vamos criar algo especial em Sintra, tudo pelo Sintrense.»

Equipa transcontinental

Ao lado de Felix Kruger, estará Tom Worville, ingês natural de Nottingham e que irá coordenar o departamento de scouting. Ele que também passou pelo RB Leipzig, durante dois anos, onde conheceu e trabalhou com Felix, ligação que agora o trouxe para Sintra. «Acho que há um elemento romântico nesta história de trazer uma equipa como esta e, oxalá, levá-la até às ligas de topo em Portugal», contou. Tom trabalhará com Luís Ferreira no recrutamento e análise de jogadores.

Tom Worville (diretor de scouting), Felix Kruger (presidente da SAD), Dionny Macedo (diretor de operações) e Luís Ferreira (diretor técnico). Foto: Mariana Tenório

Já Dionny Macedo autodescreve-se como o «braço direito» de Felix, e vai tratar de «todo os afazeres do dia a dia». Nascido na Guiana Francesa e filho de um casal brasileiro, chegou a integrar a formação do Lyon enquanto jogador, deixou essa vida para trabalhar no PSG e depois na UEFA, antes de também ser aliciado para este projeto.