“Quero começar por expressar em nome do Governo as nossas condolências às famílias das pessoas que faleceram nas últimas horas e que não terão tido a resposta mais rápida do sistema de emergência, apesar do reforço feito na região de Setúbal e de Lisboa que envolve a totalidade das ambulâncias disponíveis”, disse Luís Montenegro, na abertura do debate quinzenal na Assembleia da República.

De seguida, o primeiro-ministro anunciou que o Governo PSD/CDS-PP aprovou na quarta-feira “a aquisição de novas 275 viaturas para o INEM num investimento que ascende a 16,8 milhões de euros”, acrescentando: “São 163 ambulâncias, 34 VMER e 78 outros veículos, o maior investimento do género na última década“.

Luís Montenegro anunciou também que na sexta-feira o Conselho de Ministros vai “aprovar as resoluções para o lançamento do concurso para a construção do novo Hospital do Algarve, uma obra estrutural que se junta a outras como o Hospital de Todos os Santos em Lisboa”.

“Já hoje, em reunião entre a ministra da Saúde e a senhora ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, foi também decidido criar uma resposta rápida entre 400 e 500 camas em unidades intermédias para poder tirar do sistema hospitalar casos sociais que retiram capacidade precisamente para as situações de emergência”, referiu.

O primeiro-ministro enquadrou “todos estes investimentos” numa “reforma profunda do INEM que está em curso” para que haja “uma mais rápida resposta do serviço de emergência médica”.

“Estamos já a implementar a modernização tecnológica dos Centros de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) e a alteração do sistema de triagem. Em 2026, prosseguiremos a reforma estrutural da saúde para garantir uma resposta rápida, eficaz e humana em todo o território”, prosseguiu.

“Estamos a resolver um problema crónico”

Sobre a compra de veículos para o INEM, segundo Luís Montenegro, “nos últimos dez anos apenas tinham sido adquiridos para o INEM 100 veículos num total de 4,2 milhões de euros”.

“Ou seja, em dez anos foi gasto um quarto do que este Governo decidiu ontem mesmo investir. Estamos a resolver um problema crónico e a inverter um desinvestimento que herdámos com consequências evidentes e graves”, sustentou, prometendo “reformas estruturais e transformadoras noutras áreas essenciais” durante 2026.

Durante esta semana, pelo menos três pessoas morreram depois de terem ligado para o INEM a pedir socorro e os meios não terem chegado a tempo. O INEM, que abriu uma auditoria, rejeitou responsabilidades e apontou a falta de meios e a retenção de macas nos hospitais.