Uma idosa, com cerca de 70 anos, morreu na quarta-feira (7 de janeiro) na Quinta do Conde, em Sesimbra, depois de esperar cerca de 40 minutos por uma ambulância, que veio de Carcavelos, a 35 quilómetros do local da ocorrência.

No espaço de uma semana, este é já o terceiro caso de uma morte associada a atrasos na chegada de meios de socorro. Na terça-feira (6), um idoso morreu no Seixal, após esperar cerca de três horas pela chegada de meios de emergência e na quarta-feira um homem em Tavira morreu depois de ter estado mais de uma hora a aguardar por meios de socorro, segundo disse fonte familiar à Lusa.

O inspetor-geral das Atividades em Saúde (IGAS), António Carapeto, confirmou ao DN que  já instaurou um processo de inquérito a estes dois casos noticiados ontem nos mesmos termos que fizera relativamente ao caso anterior. Ou seja, com vista a averiguar “a qualidade do serviço na perspetiva da prontidão, designadamente por parte do INEM”.

A situação que ocorreu na Quinta do Conde foi denunciada pela própria corporação de bombeiros nas redes sociais. “Apesar da pronta saída do quartel, a distância entre as duas localidades condicionou inevitavelmente o tempo de chegada ao local”, indicou. “Por cada minuto que passa sem manobras de reanimação, a vítima perde cerca de 10% de hipóteses de sobrevivência”, realçam os bombeiros de Carcavelos.

A corporação explica que, durante a tarde de quarta-feira, a equipa “foi mobilizada para uma ocorrência de paragem cardiorrespiratória” na Quinta do Conde, no concelho de Sesimbra, “a cerca de 35 km de Carcavelos”. Na publicação do Instagram, é referido, por lapso, que a ocorrência tinha sido no Seixal, mas o comandante da corporação, João Franco, confirmou ao DN que foi na Quinta do Conde.

Os bombeiros foram “acionados às 14h00” e chegaram ao local “às 14h44”, explicou António Canento, segundo comandante da corporação, à SIC Notícias. “A equipa encontrou uma vítima em paragem [cardiorrespiratória], iniciaram manobras de suporte básica de vida. Para o local o INEM já tinha acionado uma viatura médica e a autoridade estava a caminho do local”, afirmou o responsável.

Questionado sobre se considera normal que tenham sido acionados, estando a cerca de 35 quilómetros do local da ocorrência, o segundo comandante da corporação respondeu: “Não deveria ser normal, mas já acontece com alguma regularidade”.

“Segundo a informação que temos as ambulâncias mais próximas ficam retidas nos hospitais, que, supostamente, não têm capacidade de alojar os doentes acamados”, disse o segundo comandante. O óbito foi declarado no local, acrescentou.