O preço-alvo do Bank of America, para as ações da Adidas, baixou dos 213 euros para os 160 euros.
A Adidas, segunda maior marca desportiva do mundo cotada em bolsa atrás da Nike, levou um duplo downgrade, esta semana, por parte do Bank of America, do nível de buy (compra) para underperform (desempenho abaixo da média), sinalizando desta maneira a venda das ações da organização sediada em Herzogenaurach, na Bavaria. A maior negatividade da instituição bancária perante a empresa alemã deve-se a perspetivas mais baixas de crescimento das vendas.
O preço-alvo do Bank of America, para a Adidas, baixou dos 213 euros para os 160 euros.
“A história de valorização das ações do grupo é bem conhecida e deixou de gerar revisões em alta das projeções de lucro por ação (EPS) há vários trimestres. A marca Adidas caminha agora para um crescimento orgânico das vendas de um dígito […] … num contexto setorial em deterioração”, afirmam os analistas do Bank of America, transcritos pela publicação financeira Investing.
A instituição bancária considera ainda que a tendência de 20 anos de casualização da moda, que levou a que o segmento do calçado subisse de 20% para 50% do mercado, atingiu o seu pico na pandemia da Covid-19 pelo que a margem de crescimento deve-se encontrar esgotada.
Os analistas defendem também que o mundial de futebol, previsto para este ano, que se realiza no Canadá, Estados Unidos, e México, pode beneficiar de uma forma temporária a Adidas, contudo levantam também dúvidas sobre o que se poderá passar com a marca desportiva assim que o evento termine.
Em termos de performance bolsista a Adidas já caiu 5,7% desde o início do ano e nos últimos cinco anos quase que perde metade do seu valor (-48,3%). No espaço de um ano a marca desportiva alemã desvaloriza 25,8%.
Investidores podem mudar o foco para outras marcas desportivas
A instituição bancária defende também que o foco dos investidores pode mudar para marcas com um perfil de crescimento mais sustentado, face à marca alemã, dando como exemplo a On e a Asics.
Ao nível do desempenho na bolsa a On tem um ganho de 4,6% desde o início do ano, quebra 11,9% no espaço de um ano, e valoriza 37,4% em cinco anos. Já a Asics valoriza 5,4% desde o início do ano, sobe 28,3% no espaço de um ano, e disparou 724,3% em cinco anos.
O Bank of America defende também, transcrito pela Business Insider, que uma recuperação sustentada da Nike viria às custas da Adidas, ou seja, boas notícias para a Nike seriam más notícias para a Adidas, face a um histórico de crescimento de receitas inverso entre as duas empresas.