Marco Rubio, o Secretário de Estado dos EUA, e John Ratcliffe, diretor da CIA – além, claro, de Donald Trump – são as principais figuras retratadas numa fotografia tirada durante a captura de Nicolás Maduro (e distribuída pela própria Casa Branca) e que está a ser comparada com a fotografia da sala de crise de Obama, em que todos tinham o mesmo olhar expectante aquando da também histórica captura de Osama Bin Laden, em 2011.
Apesar das comparações, são grandes as diferenças entre as duas – a primeira, desde logo, é que a fotografia com Obama foi tirada na sala de crise da Casa Branca, em Washington DC, e o registo da reação da administração Trump à operação, à medida que ela se desenvolvia, foi feito no resort de luxo de Mar-A-Lago, na Flórida, propriedade do Presidente dos EUA. Foi lá que alguns membros da administração Trump – mas não todas as principais figuras – se reuniram para acompanhar aquele momento histórico.

White House via Getty Images
Trump aparece sempre sentado, ao centro, com o diretor da CIA e o Secretário de Estado ao seu lado, normalmente de pé.
Sentados em cadeiras douradas, na principal foto partilhada pela Casa Branca, estão apenas Donald Trump – ocupando um lugar central na foto que contrasta com a posição quase secundária e lateral em que Obama estava sentado na foto de 2011 – e um homem que o jornal Politico identificou como Stephen Miller, adjunto do chefe de gabinete da Casa Branca. A sala está rodeada de cortinas escuras que a protegem da claridade do resto da casa.
Todos os outros responsáveis que aparecem na foto de Trump estão de pé, em segundo plano. Marco Rubio, John Ratcliffe e, mais atrás, o oficial naval Marshall Boyd, o chefe de gabinete do Secretário da Guerra Pete Hegseth, Ricky Buria, e outro responsável da Casa Branca, William “Beau” Harrison. Hegseth também está na sala mas não aparece na principal foto partilhada pela Casa Branca a preto e branco – está apenas numa outra imagem que também foi divulgada.

White House via Getty Images
Pete Hegseth, Secretário da Guerra de Trump, também aparece noutra fotografia.
Quem não está na imagem, em nenhuma das que foram partilhadas pela Casa Branca, é o vice-presidente dos EUA, JD Vance. O que é mais um contraste com a foto de Obama em 2011 – o então vice-presidente Joe Biden aparece na imagem, bem como Hillary Clinton, Secretária de Estado daquela administração.
Questionado pela NBC News, um porta-voz do vice-presidente disse no fim de semana que, embora JD Vance tenha estado no clube de golfe de Trump em West Palm Beach na sexta-feira e tenha discutido a operação com ele, saiu antes do início da operação devido a preocupações de que a movimentação da sua comitiva pudesse alertar os venezuelanos para aquela missão.
Outra ausência notada foi a de Tulsi Gabbard, diretora dos serviços secretos dos EUA. Gabbard tem sido parca em comentários sobre a operação – isto depois de, em 2019, ter defendido publicamente que “os EUA têm de se afastar da Venezuela” e “deixar os venezuelanos decidirem sobre o seu futuro”. Agora, colocou apenas uma mensagem nas redes sociais onde deu os parabéns aos militares norte-americanos que “executaram de forma perfeita a ordem do Presidente Trump”.
Quem em 2011 ocupava o lugar onde hoje está Tulsi Gabbard era James Clapper que, sim, esteve presente nessa sala de crise formada para capturar Osama Bin Laden. E aparece na foto de 2011, em que todos estão vestidos de forma muito mais informal – Joe Biden de camisa sem gravata e o próprio Obama com um casaco por cima de uma camisa branca.

FOTOILUSTRAÇÃO INÊS CORREIA/via White House
Na foto de Trump todos os que lá aparecem estão vestidos de fato – são todos homens.