A primeira metade da época do Wolverhampton foi pintada a negro, fruto de 17 derrotas em 22 jogos disputados até ao final do ano civil, 16 das quais averbadas na Premier League. A conclusão da primeira volta sem qualquer vitória antecipava o pior registo pontual de sempre da prova, cenário ainda em cima da mesa, mas suavizado por um miúdo de 18 anos chamado Mateus Mané.

Mateus Mané nasceu a 16 de setembro de 2007, no Barreiro. Filho de pais oriundos da Guiné-Bissau, começou a dar os primeiros passos no futebol no Barreirense, entre 2014 e 2016.

O ano da conquista do Campeonato da Europa por parte de Portugal marca também a saída de Portugal da família de Mané rumo à zona de Manchester. Após uma breve experiência no Manchester City, o jovem atleta ingressou no Rochdale, clube que representou até o Wolverhampton aparecer, em janeiro de 2024.

Mateus Mané rumou aos lobos com 16 anos, sem nunca ter representado a equipa principal do modesto Rochdale, que milita atualmente na quinta divisão inglesa. As boas exibições no Wolverhampton captaram a atenção da Federação Inglesa de Futebol, que lhe proporcionou a estreia nos sub-18, em setembro, mas também da FPF.

O interesse português e inglês precipitou uma situação inesperada, em outubro de 2024: Mané foi simultaneamente convocado para os sub-18 das duas seleções, tendo continuado ao serviço dos três leões. O caminho do médio, ainda assim, continuou a cruzar-se com atores lusos.

Foi Vítor Pereira que lançou Mateus Mané pela primeira vez na equipa principal, na receção ao Brighton, na 36.ª jornada da Premier League, a 10 de maio de 2025. Aos 17 anos, o centrocampista tornou-se no jogador mais jovem de sempre do clube na prova e foi muito elogiado pelo treinador luso: «Tenho a certeza que será uma surpresa em Inglaterra. Não é só um talento, um trabalhador. Coloquei-o em jogo porque é especial.»

Vítor Pereira previu a integração total de Mané na primeira equipa, mas foi Rob Edwards quem a concretizou. O substituto do técnico luso promoveu o médio a tempo inteiro e apostou nele em dez das últimas jornadas. A primeira titularidade chegou a 27 de dezembro, logo contra o Liverpool em Anfield, mas o luso-guineense respondeu com maturidade e talento.

Duas jornadas depois, Mané estreou-se a marcar e tornou-se no goleador mais jovem da história do clube, às custas de Nuno Espírito Santo, a 3 de janeiro. O médio participou no primeiro golo marcado pelos lobos, sofreu o penálti que deu origem ao segundo e foi o autor do terceiro na primeira vitória da equipa na presente edição da Premier League (3-0).

Depois de brilhar na estreia caseira, Mané repetiu a dose em casa do Everton, na quarta-feira. O médio-centro aventurou-se no último terço do adversário, leu na perfeição o espaço existente entre setores adversários e aproveitou para voltar a marcar.

O Wolverhampton perdeu apenas um jogo desde que Mané assumiu a titularidade e se tornou num «líder», de acordo com Rob Edwards, de uma equipa que parecia condenada à descida de divisão com contornos humilhantes. A luz ao fundo do túnel dos lobos está a ser segurada por um médio com ligações muito fortes a Portugal.