O presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, anunciou a libertação, nas próximas horas, de um “número significativo” de cidadãos detidos, sem avançar um total. “É um gesto unilateral de paz e não foi acordado com mais nenhum partido”, afirmou, acrescentando que o número final de libertados será divulgado entretanto. Rodríguez agradeceu ainda a mediação do ex-Presidente espanhol José Luis Rodríguez Zapatero, do Presidente do Brasil, Lula da Silva, e do Governo do Qatar.

O ministro dos Negócios Estrangeiros espanhol, José Manuel Albares, afirmou num programa televisivo que há cidadãos espanhóis entre os prisioneiros que a Venezuela anunciou que vai libertar. Pouco depois, o Ministério dos Negócios Estrangeiros confirmou a libertação de cinco cidadãos espanhóis, dois deles com dupla nacionalidade. “O Governo de Espanha congratula-se com a libertação, hoje em Caracas, de cinco espanhóis, que se preparam para viajar para Espanha com o apoio da nossa embaixada”, indicou em comunicado.

A imprensa espanhola identifica entre os libertados Rocío San Miguel, Enrique Márquez, os bascos Andrés Martínez Adasme e José María Basoa, Miguel Moreno, das Canárias, e Ernesto Gorbe, natural de Valência. Existem ainda cerca de 15 prisioneiros com dupla nacionalidade espanhola e venezuelana, desconhecendo-se quantos poderão também ter sido abrangidos.

Rocío San Miguel, especialista em assuntos militares, e Enrique Márquez, antigo candidato presidencial e figura de relevo da oposição, foram libertados nas últimas horas, confirmou o El País. San Miguel estava acusada de envolvimento num alegado plano para assassinar Nicolás Maduro e deverá viajar em breve para Espanha, segundo a família. Márquez recusou reconhecer a vitória de Maduro nas eleições presidenciais de julho de 2014 e encontrava-se detido desde então.

Os dois jovens bascos tinham sido detidos após as eleições de 28 de julho e acusados de ligação aos serviços secretos espanhóis e de integrarem uma alegada conspiração organizada pela CIA — acusações negadas por Madrid. Miguel Moreno foi detido em junho passado, quando participava numa expedição de caça ao tesouro em águas reivindicadas pela Venezuela. Ernesto Gorbe foi detido em 2024 por permanecer no país após a expiração do visto.

Segundo o balanço mais recente da organização não-governamental Foro Penal, permanecem na Venezuela 863 presos políticos, incluindo 86 cidadãos estrangeiros ou com dupla nacionalidade.