Começando pelas infraestruturas, aumentaram para o dobro, tendo agora cerca de 650 metros quadrados. A equipa também foi reforçada, sendo composta por 20 pessoas, entre médicos, enfermeiros, biólogos, administrativos e auxiliares. Ao todo, entre a obra e os equipamentos adquiridos, foram gastos aproximadamente dois milhões de euros, financiados pelo Plano de Recuperação e Resiliência.
O CRI foi criado em 2023, mas a procura elevada motivou esta expansão. Os grandes objetivos do investimento passavam por “duplicar a produção, ter instalações de referência a nível nacional e internacional e, por fim, resolver o problema do diagnóstico genético pré-implantatório em Portugal”.
“Quando criámos o CRI, havia um histórico de procura deste procedimento de 400 casais por ano. Fechámos 2025 com 900 casais, conseguindo dar resposta a todos os doentes que nos procuram”, explicou Manuel Melo, diretor de gestão do CRI.
Atualmente, após a realização do Teste Genético Pré-implantacional (PGT), que vai permitir garantir que estão reunidas as condições necessárias para que o tratamento proporcione uma gravidez saudável, o tempo de espera para o início do mesmo ronda os quatro meses.
A inauguração oficial das novas instalações do CRI está agendada para o próximo mês, com a garantia de Manuel Melo de que nessa data serão anunciadas “soluções absolutamente inovadoras no que toca ao aumento da literacia e acompanhamento dos doentes, bem como de libertação de médicos para trabalho mais clínico”.
“Muita esperança”
Laura e Armando Dauer, ambos brasileiros e com 34 anos, foram um dos primeiros casais a usufruírem da novidade. Vieram para Portugal há quatro anos e iniciaram o processo há aproximadamente três meses.
Laura foi diagnosticada com endometriose, uma doença crónica que afeta o útero, e a rapidez do processo mudou a vida do casal.
“Estamos nervosos, mas com muita esperança. Sou bem orientada e aqui no Hospital de São João são todos gentis. Isso é importante, porque este processo, além de físico, tem um grande impacto psicológico”, partilhou.
Embora o tratamento não signifique a certeza de que a gravidez corra bem, “é a diferença entre um não e um talvez”, afirmou Armando, esperançoso.

Armando e Laura Dauer, de 34 anos (Foto: Pedro Correia)