A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodriguez, afirmou, durante uma cerimónia oficial, que existe “uma mancha” nas relações com os Estados Unidos, desde a captura do Presidente Nicolás Maduro pelo exército norte-americano.

“No que diz respeito às relações entre a Venezuela e os Estados Unidos, a primeira coisa a dizer é que há uma mancha nas nossas relações que nunca tinha ocorrido na nossa história”, afirmou na quarta-feira à noite Rodríguez, antiga vice-presidente do país, investida na segunda-feira como líder interina.

Rodríguez disse, no entanto, que as trocas comerciais com os Estados Unidos “não têm nada de extraordinário nem irregular”, depois de a petrolífera estatal PDVSA anunciar negociações para vender petróleo bruto aos Estados Unidos.

O Presidente dos EUA, Donald Trump, garantiu que os responsáveis interinos venezuelanos vão entregar aos Estados Unidos “entre 30 e 50 milhões de barris de petróleo”, o equivalente a um a dois meses de produção do país latino-americano.

Na quarta-feira, Washington garantiu que esta transação se inscreve no âmbito de um “acordo histórico” com Caracas, que não se limitará aos milhões de barris mencionados.

Donald Trump afirmou posteriormente nas redes sociais que a parte que a Venezuela receberá “servirá APENAS para comprar produtos norte-americanos”, nomeadamente produtos agrícolas e medicamentos.

No discurso na quarta-feira à noite, Delcy Rodríguez declarou: “As nossas mãos estão estendidas a todos os países do mundo, para relações, para cooperação económica, comercial e energética”.

Donald Trump impôs sanções ao petróleo venezuelano durante o primeiro mandato, criando uma forma de embargo que os compradores conseguem contornar através do uso de frotas chamadas “fantasmas”.

Washington diz estar disposta a levantar essas sanções “de forma seletiva” para poder comercializar o petróleo venezuelano no mercado tradicional de petróleo.