Parar de fumar, perder peso, voltar à academia e outras promessas relacionadas à saúde estão sempre no top 5 das famosas listinhas de metas para o ano novo. Mas o que é possível fazer para que essas promessas não caiam no esquecimento, para que o “promesseiro” não desista diante das primeiras dificuldades?

“Mudar hábitos não é uma tarefa fácil. Para que uma meta se torne um hábito, algo incorporado à rotina da pessoa, que será reproduzido de maneira tranquila, quase automática, é preciso ter estratégia. A medicina tem avançado muito nessa área. Pesquisas importantes nos mostram o que devemos fazer para aumentar as chances de sucesso na difícil missão de ajudar as pessoas a adotarem hábitos saudáveis”, explica a oncologista clínica Amanda Gomes, do Centro de Tratamento Oncológico (CTO), que também é especialista em MEV – Medicina do
Estilo de Vida.

Para transformar mudanças em hábitos duradouros, a primeira recomendação é começar com metas modestas, que a pessoa sabe que pode alcançar. Caminhadas diárias de 10 a 20 minutos podem ser um primeiro passo para quem está sedentário. “Mudanças radicais não geram resultados a longo prazo. É possível, inclusive, que ocorra o efeito reverso, devido ao cansaço corporal em situações com as quais a pessoa não está acostumada”, destaca Amanda Gomes. A médica também enfatiza que nem sempre será possível dar 100%. “No início, é normal se cansar, mas é importante persistir e comemorar cada passo. Pequenas conquistas criam um ciclo virtuoso e facilitam a adoção de outros hábitos saudáveis”.

Se a meta é adotar uma alimentação mais saudável, o foco inicial pode estar em apenas uma refeição do dia ou no aumento do consumo de frutas, verduras e legumes. Se o objetivo é dormir melhor, já que o sono reparador é um dos pilares mais importantes para uma boa saúde, o primeiro objetivo pode ser o estabelecimento de uma rotina, dormir e acordar sempre no mesmo horário. “Esses são apenas exemplos de medidas que podem fazer parte de uma estratégia, que deve sempre ser personalizada. As pessoas são diferentes, tem motivações, condições de vida diversas. Orientação profissional, baseada em conhecimento científico é muito importante para que a pessoa adote hábitos saudáveis”, conclui Amanda.

O conceito de estilo de vida saudável é fundamental para os oncologistas. As pessoas que se alimentam bem, praticam exercícios físicos regularmente, dormem bem, tomam a quantidade adequada de água e evitam fatores de risco como tabagismo e alcoolismo têm de 30 a 40% menos risco de ter qualquer tipo de câncer. E, claro, além de câncer, a pessoa que tem hábitos saudáveis se previne de muitas outras doenças, como diabetes e doenças cardiovasculares, por exemplo. São basicamente esses os fundamentos da Medicina do Estilo de Vida.

A MEV tem 6 pilares:
 Alimentação saudável
 Atividade física regular
 Sono reparador
 Gerenciamento do estresse
 Evitar substâncias nocivas como álcool e tabaco
 Conexões sociais saudáveis

“Muitos pacientes me perguntam se estresse causa câncer e eu sempre explico o seguinte: O estresse influencia comportamentos de risco. O estresse crônico prejudica o sono, favorece o tabagismo, piora a alimentação e reduz a resposta do sistema imunológico. Resumidamente, já podemos entender porque o gerenciamento do estresse é um dos pilares da nossa saúde”, esclarece a médica.

As relações sociais também exercem papel decisivo nesse processo. “A qualidade das nossas conexões prediz muito sobre a nossa longevidade”, afirma Amanda, ao destacar que vínculos saudáveis estimulam o autocuidado e a manutenção de hábitos positivos.

Entre as mudanças mais desafiadoras estão a redução ou interrupção do consumo de álcool e tabaco. Nesses casos, o acompanhamento especializado é fundamental e pode envolver medicação e psicoterapia, inclusive em formato on-line. A orientação é trabalhar estratégias para lidar com recaídas e evitar que pequenos lapsos levem à desistência. “Hoje sabemos que não existe dose segura de álcool para ninguém. Ele é cancerígeno, assim como o tabaco”, afirma a médica, citando também os danos associados ao uso de cigarros eletrônicos.

A mudança no estilo de vida, a adoção de hábitos saudáveis afeta positivamente aspectos fisiológicos, metabólicos, psicológicos e sociais. Entre os inúmeros benefícios estão a melhora da função pulmonar e cardiovascular, maior oxigenação cerebral, aumento da disposição e fortalecimento da imunidade, contribuindo decisivamente para a redução da incidência de doenças crônicas. “Doenças crônicas são resultado de hábitos crônicos. Só mudando o comportamento que adoece é possível mudar o desfecho”, finaliza a médica.

Fonte: Laura Serejo – Assessora de imprensa