Portugal regista desde o início de Dezembro um excesso de mortalidade de cerca de 22% associado ao frio e à epidemia de gripe, com aumento proporcional das mortes por doenças respiratórias, segundo uma análise preliminar da Direcção-Geral da Saúde (DGS). Na primeira semana de Janeiro, foram identificados excessos de mortalidade em todas as regiões de Portugal continental e em todos os grupos etários acima dos 45 anos.
Segundo o mais recente boletim de vigilância do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (Insa), referente ao período entre 29 de Dezembro e 4 de Janeiro, foram diagnosticados nesta semana 1340 casos positivos para o vírus da gripe — um ligeiro aumento relativamente às duas semanas anteriores, cada uma com 1265 novos casos de gripe registados. Depois de ter atingido um pico no final de Dezembro, como identificado pelo subdirector-geral da Saúde, André Peralta Santos, a evolução da actividade gripal em Portugal parece agora manter-se num planalto, com “tendência estável”.
Já desde o início de Dezembro que as autoridades de saúde vinham alertando para um provável aumento da actividade gripal na semana do Natal, mas também no início do novo ano, não estando excluída a hipótese de uma nova subida do número de casos.
Quase todos os novos casos de gripe foram identificados como sendo do tipo A (1331). Nos vírus subtipados, foi identificado o subtipo A(H3N2) em 162 casos e o A(H1N1)pdm09 em 134 casos.
Além do excesso de mortalidade ligado à fase epidémica da gripe sazonal, “observa-se igualmente um ligeiro aumento das mortes por doenças cardiovasculares e metabólicas, fenómeno frequentemente associado à exposição prolongada ao frio, sobretudo em populações mais idosas e com doença crónica prévia”, refere um balanço da DGS e do Insa divulgado esta quinta-feira à agência Lusa.
A DGS e o Insa sublinham que “estes padrões são consistentes com o que historicamente se observa durante períodos de circulação intensa de vírus respiratórios e condições climáticas adversas, não havendo, até ao momento, indícios de factores extraordinários ou inesperados”.
Apesar de o número de consultas por síndrome gripal sugerir que a disseminação da epidemia tenha ocorrido, durante este Inverno, do Norte para o Sul do país, “verifica-se um excesso (de mortalidade) proporcional ligeiramente superior nas regiões do Alentejo e do Algarve, diferenças que reflectem a interacção de diferentes factores como maior hesitação vacinal e factores demográficos e de privação socioeconómica estruturais próprios destas regiões”, salientam a DGS e o Insa.
Na última semana, foram reportados 27 casos de gripe pelas 16 unidades de cuidados intensivos (UCI) que enviaram informação. Do total de doentes que precisaram de internamento em UCI por causa da gripe, 22 tinham doença crónica subjacente e 24 tinham recomendação para vacinação contra a gripe sazonal, mas apenas seis estariam vacinados. Três das pessoas internadas têm entre 35 e 44 anos.
Os dados apontam para um aumento da proporção da gripe em UCI, de 11,3% na semana anterior para 18,8%.
A 2 de Janeiro, ainda durante a análise dos números de final de Dezembro, André Peralta Santos admitiu que a maior pressão sobre o sistema de saúde devido à gripe se mantivesse por mais algum tempo, pelo menos nas primeiras semanas de Janeiro.
No total, desde o início da época gripal, a 29 de Setembro, os laboratórios da Rede Portuguesa de Laboratórios para o Diagnóstico da Gripe e Outros Vírus Respiratórios já notificaram 59.135 casos de infecção respiratória e identificaram 11.795 casos de gripe.
Também a nível europeu, na semana entre 29 de Dezembro e 4 de Janeiro, a circulação do vírus da gripe continuou a aumentar e a exigir um aumento dos internamentos, principalmente em adultos com 65 ou mais anos.
A Direcção-Geral da Saúde reforçou desde o início da actividade epidémica de gripe a comunicação à população incentivando a vacinação dos grupos de risco e a adopção de comportamentos que diminuam o risco de infecção (como o uso de máscara em caso de sintomas, etiqueta respiratória e higiene das mãos).