As Forças Armadas do Paquistão alertaram que o Afeganistão está se tornando um “centro de terroristas e atores não estatais”, representando uma ameaça à segurança regional. A declaração foi feita na terça-feira (6) pelo porta-voz militar paquistanês, tenente-general Ahmad Sharif Chaudhry, durante entrevista coletiva em Islamabad. As informações são da ABC News.

Segundo Chaudhry, o governo talibã estaria patrocinando organizações extremistas como a Al-Qaeda, o Estado Islâmico (EI) e o Tehrik-e Taliban Pakistan (TTP), popularmente conhecido como Taleban do Paquistão. O militar não apresentou provas para sustentar as acusações.

Tehrik-e Taliban Pakistan (TTP), o popular Taleban do Paquistão (Foto: reprodução/Twitter)

Durante a coletiva, Chaudhry afirmou ainda que cerca de 2,5 mil militantes estrangeiros teriam entrado recentemente no Afeganistão vindos da Síria, após a deposição do ex-presidente Bashar al-Assad, em dezembro de 2024. De acordo com ele, esses combatentes teriam sido convidados a ingressar no país.

“Esses terroristas não são cidadãos paquistaneses nem afegãos e pertencem a outras nacionalidades”, disse o porta-voz, acrescentando que o fortalecimento de grupos militantes internacionais pode gerar riscos que ultrapassam as fronteiras afegãs.

Até o momento, o governo de Cabul não comentou as declarações. A guerra civil síria, que se estendeu por quase 14 anos, terminou com a queda de Assad, mas deixou um cenário fragmentado, com diversos grupos armados atuando em diferentes regiões, resultado de anos de intervenção estrangeira.

Desde então, combatentes sírios passaram a atuar em outros conflitos, incluindo forças apoiadas pela Turquia enviadas à Líbia e militantes recrutados pela Rússia para a guerra na Ucrânia. Estrangeiros também integraram facções rebeldes, forças pró-governo e grupos extremistas como o Estado Islâmico.

As acusações do Paquistão ocorreram um dia após o país e a China pedirem ações mais “visíveis e verificáveis” para eliminar organizações militantes que operam em território afegão e impedir que o país seja usado como base para ataques contra outras nações.

As relações entre Paquistão e Afeganistão se deterioraram nos últimos meses. Em outubro, os dois países estiveram próximos de um conflito mais amplo após ataques aéreos paquistaneses contra alvos que Islamabad classificou como esconderijos do Taleban Paquistanês em território afegão. Cabul respondeu atacando postos militares do Paquistão. Os confrontos cessaram após mediação do Catar.

O Paquistão acusa há anos o Afeganistão e a Índia de apoiarem o TTP e o Exército Nacional Balúchi, ambos considerados grupos ilegais. Cabul e Nova Déli negam as acusações.

Chaudhry também divulgou números sobre a segurança interna do país. Segundo ele, 2.597 militantes foram mortos no Paquistão em 2025, contra 1.053 no ano anterior. O número de ataques militantes subiu de 3.014, em 2024, para 5.397 em 2025.

“É um número expressivo porque estamos combatendo esses grupos em todos os lugares”, afirmou o porta-voz, acrescentando que cidadãos afegãos estiveram envolvidos em quase todos os principais ataques registrados no país no último ano.