O presidente da Rússia, Vladimir Putin, classificou a guerra na Ucrânia como uma “missão sagrada” durante um discurso feito na celebração do Natal ortodoxo, nesta quarta-feira (7). A declaração ocorreu após uma missa à meia-noite realizada na Igreja de São Jorge, o Vitorioso, na região de Moscou, com a presença de militares russos e seus familiares. As informações são do The Moscow Times.

De acordo com o Kremlin, Putin afirmou que os soldados russos cumprem um papel comparável ao de Jesus Cristo, ao defender a Pátria e proteger o povo russo. “Costumamos chamar o Senhor de Salvador porque Ele veio à Terra para salvar todas as pessoas. Da mesma forma, os guerreiros da Rússia sempre cumpriram essa missão”, disse o presidente, segundo transcrição oficial.

Putin na celebração do Natal ortodoxo de 2019, em São Petersburgo (Foto: WikiCommons)

Putin ressaltou que, ao longo da história da Rússia, os militares sempre foram vistos como agentes de uma “missão sagrada” em nome de Deus, como se tivessem sido incumbidos “diretamente pelo Senhor”. O presidente também se dirigiu aos filhos de militares, afirmando que eles têm o direito de se orgulhar dos pais, destacando que o orgulho pelos soldados é um sentimento constante na sociedade russa.

O líder russo acrescentou que o espírito do Natal é compartilhado por todas as tropas do país, inclusive por militares de outras religiões. Segundo ele, a celebração dos feriados religiosos e as vitórias militares são vividas de forma coletiva. “Como é sabido, a vitória é sempre de todos”, afirmou.

Desde o início da invasão em grande escala da Ucrânia, em fevereiro de 2022, Putin tem intensificado o discurso de valorização das Forças Armadas e da unidade nacional. Em seu pronunciamento de Ano Novo, realizado na semana passada, ele afirmou que milhões de russos apoiam os soldados envolvidos no que Moscou define como “operação militar especial”.

Segundo estimativas de países ocidentais, a Rússia sofreu centenas de milhares de baixas militares desde o início do conflito, enquanto a Ucrânia perdeu dezenas de milhares de soldados. As perdas têm afetado de forma desproporcional povos indígenas e regiões étnicas da Federação Russa, que concentram parte significativa da mobilização militar.

A ONU (Organização das Nações Unidas) estima que mais de 14 mil civis ucranianos morreram em quase quatro anos de guerra e acusam a Rússia de cometer crimes contra a humanidade contra a população civil na Ucrânia.