Milhares de pessoas saíram esta quinta-feira às ruas em vários pontos do Irão para protestar contra o regime que lidera a República Islâmica. O príncipe herdeiro do xá Reza Pahlavi fez um apelo para que os manifestantes contestem a liderança do ayatollah, Ali Khamenei. Em resposta, o governo iraniano cortou a internet em várias partes do país, incluindo na capital, Teerão.
Thousands in the streets of Tehran https://t.co/F7sU3KOqeD pic.twitter.com/XHUWxZzRgq
— Iris (@streetwize) January 8, 2026
A informação foi avançada pelo portal Netbloc. A conta da rede social X do site que se dedica a analisar o tráfico digital refere mesmo um apagão informativo em todo o o país, numa altura em que milhares de iranianos protestam contra a crise económica e política que o país enfrenta e o regime. As linhas telefónicas também estão cortadas, avança a Associated Press. Ao canal de televisão CBS News, vários residentes de Teerão confirmaram que estão sem acesso à internet.
⚠️ Confirmed: Live metrics show #Iran is now in the midst of a nationwide internet blackout; the incident follows a series of escalating digital censorship measures targeting protests across the country and hinders the public’s right to communicate at a critical moment ???? pic.twitter.com/vKpVUUmNJs
— NetBlocks (@netblocks) January 8, 2026
Mais tarde, a empresa norte-americana Cloudfare informou que o Irão estava num apagão informativo total desde as 19h45 (hora em Lisboa, mais três horas e meia em Teerão) desta quinta-feira, o que impedia qualquer acesso à internet no país.
Além disso, segundo a agência de notícias iraniana Mehr, todos os voos do aeroporto internacional de Tabriz, no oeste do Irão, foram suspensos.
Por sua vez, o Presidente dos Estados Unidos da América (EUA), Donald Trump, voltou a repetir uma ameaça contra o regime iraniano. Se o governo do Irão matar manifestantes, os EUA podem “atingir fortemente” o Irão. O líder norte-americano já tinha feito este aviso no início dos protestos.
Em declarações à rádio norte-americana Salem Radio, Donald Trump disse que havia “muitos protestos no Irão”. O Presidente norte-americano confirmou que “alguns manifestantes foram mortos”. “Não posso garantir que posso responsabilizar alguém.” Ainda assim, deixou a ameaça: o regime iraniano vai “enfrentar o inferno” se matar manifestantes.
Esta quinta-feira, o príncipe herdeiro e filho do xá deposto na Revolução Islâmica — Mohammad Reza Pahlavi — pediu à população que saísse à rua para protestar. “Grande nação do Irão, os olhos do mundo estão a ver-te. Tomem as ruas, numa frente unida, e gritem as vossas reivindicações”, escreveu no X.
Reza Pahlavi deixou ainda um aviso ao regime do ayatollah: “Aviso a República Islâmica, o seu líder e a Guarda Revolucionária Islâmica que o mundo e o Presidente dos Estados Unidos da América [Donald Trump] estão a ver-vos de perto. A repressão das pessoas não ficará sem resposta”.
Great nation of Iran, the eyes of the world are upon you. Take to the streets and, as a united front, shout your demands. I warn the Islamic Republic, its leader, and the IRGC that the world and @POTUS are closely watching you. Suppression of the people will not go unanswered. https://t.co/keyFFounaX
— Reza Pahlavi (@PahlaviReza) January 8, 2026
Até ao momento, a Organização Não Governamental Iran Human Rights deu conta esta quinta-feira que 45 pessoas morreram em 12 dias de protestos. As manifestações começaram no final de dezembro após uma greve na Grande Bazar de Teerão devido às dificuldades económicas. Mas cedo os protestos ganharam contornos políticos — e muitos deles exigem o fim da República Islâmica.
Protestos no Irão já provocaram 38 mortos e mais de 2.200 detidos em várias cidades