Comentador considera ainda que a ministra da Saúde tem mesmo de sair do Governo. Sobre isso, tem esta observação (entre outras): “Marcelo exigiu a demissão de Galamba porque um adjunto teve um ataque de loucura. E agora não exige a demissão da ministra da Saúde?”
Miguel Sousa Tavares considera que Ana Paula Martins “já deu provas da sua incompetência” e não entende por que razão Luís Montenegro insiste em mantê-la no Governo e, ao mesmo tempo, o Presidente da República “não exige” a sua demissão.
“Eu não digo que a substituição [da ministra] seja uma solução em si mesma, mas esta ministra já deu suficientemente provas de incompetência. Montenegro mantém a ministra à espera de que resultados diferentes?”, questiona Miguel Sousa Tavares, no seu habitual espaço de comentário no Jornal Nacional da TVI.
O comentador responsabiliza também o Presidente da República, lembrando um caso do governo de António Costa, em que Marcelo Rebelo de Sousa “exigiu a demissão de João Galamba porque um seu adjunto tinha tido um ataque de loucura”, referindo-se a Frederico Pinheiro, assessor do antigo ministro das Infraestruturas. “E agora não exige a demissão da ministra da Saúde?”, questiona Miguel Sousa Tavares.
Embora não tenha dúvidas de que a liderança do Ministério da Saúde “é o cargo mais difícil do Governo” e que “Ana Paula Martins faz tudo o que pode” nas suas funções, Miguel Sousa Tavares considera que a ministra “tem de ser julgada pelos resultados, independentemente das intenções”.
“Não podemos ter três mortes em dois dias porque a ambulância não chegou a tempo. Não podemos ter sete, nove horas de espera nos hospitais. Não podemos ter um médico de serviço no Amadora-Sintra no dia 2 de janeiro para atender 170 doentes”, argumenta o comentador.
Perante tudo isto, o comentador conclui que “o sistema está a falhar”, desde logo quando se fala na falta de médicos nos hospitais. “Eu não acho normal que o Estado pague a formação dos médicos que depois vão trabalhar no privado, sem que nem o hospital privado nem o próprio médico devolvam, em tempo ou em dinheiro, o que os contribuintes gastaram na sua formação.”
Sobre a falta de enfermeiros, Miguel Sousa Tavares observa que os que saem do país podem ganhar “muito melhor em Inglaterra, mas a vida é muito mais cara”. “Não deve ser assim tão difícil fazer uma proposta aos enfermeiros que os retenha aqui em Portugal.”
O comentador diz ainda não entender como é possível haver denúncias de falta de macas nos hospitais. “Quanto custa uma maca? Quinhentos euros. Quantas macas faltarão? Duas mil. Duas mil macas é um milhão de euros. Custa muito gastar um milhão de euros e pôr macas nos hospitais?”
Sobretudo porque, diz, “não falta dinheiro” para a saúde. “Todos os anos há mais mil milhões de euros para o SNS. Já vamos em 17 mil milhões de euros.”
Miguel Sousa Tavares considera que a ministra da Saúde está a ser alvo da sua própria “arrogância”. “Esse é o pecado original dela. Ana Paula Martins entrou com uma arrogância de quem tinha uma resposta certa e tudo o que estava lá estava mal e começou logo por despedir o diretor-executivo do SNS, Fernando Araújo, que estava a tentar implementar o sistema que tem resultado no norte do país”, observa. “Essa ideia de arrogância, ‘eu é que sei, eu é que sou competente’, esbarrou na realidade.”