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A atriz e professora Elisa Lisboa, figura com uma longa carreira no teatro, cinema e televisão, morreu na noite de quinta-feira, aos 81 anos, anunciou esta sexta-feira a Casa do Artista.
“Partiu ontem [quinta-feira] à noite a atriz Elisa Lisboa”, pode ler-se numa publicação nas redes sociais da Casa do Artista, que lembra a extensa carreira da atriz, iniciada no Teatro Experimental de Cascais em 1967.
A antiga professora da Escola Superior de Teatro e Cinema fez parte do elenco de filmes como “Coisa Ruim”, de Tiago Guedes e Frederico Serra, e “Axilas”, de José Fonseca e Costa, enquanto na televisão passou por “Morangos com Açúcar”, “Podia Acabar o Mundo”, “Meu Amor”, “Doce Tentação” e “A Impostora”, entre outras.
Estudou música e chegou ao sexto ano de piano, paixão que manteve ao longo da vida, tendo ido para o teatro “um bocado por exclusão de partes”, como disse em 2012 numa entrevista à RTP, na qual explicou que foi pedir ao fundador do TEC Carlos Avilez para que a deixasse trabalhar em cena.
Depois do TEC, passou por companhias como a Rey Colaço-Robles Monteiro, onde fez “Hedda Gabler”, de Ibsen, e “O Duelo”, de Bernardo Santareno, ainda antes do 25 de Abril, a que se seguiu um extenso percurso com o Grupo Teatro Hoje, o Teatro da Graça, que ajudou a fundar.
Com essa companhia interpretou múltiplas peças, desde “A Gaivota”, de Tchekov, a “Uma Abelha na Chuva”, de Carlos de Oliveira, e “As Lágrimas Amargas de Petra von Kant”, de Fassbinder.
Sobre esta última obra, encenada em 1986 no Teatro da Trindade, em Lisboa, escreveu o crítico Tito Lívio que foi a mais “sublime interpretação” de Elisa Lisboa, no papel daquela “figura muda de palavras, presença inquietante, sombra não submissa embora o pareça, da protagonista, Petra von Kant”.
Questionada, em 2012, sobre se preferia o teatro ou a televisão, Elisa Lisboa respondeu que eram coisas muito diferentes, incomparáveis, mas ambas com margem para fazer sempre melhor.
“Em todos os campos de ser atriz, acho que 80% é técnica, depois há uns 10% que é ter uma boa voz e qualidades para representar e outros 10% é ter o talento e a inteligência para pegar nisto tudo e fazer qualquer coisa. Depois, há 1% que sai fora destes 100% que é aquela coisa que espero sempre que chegue, que é a faísca, que o meu anjo da guarda faça assim, toc”, explicou a atriz.