Quatro pessoas foram mortas na cidade, na última noite, num ataque maciço com mísseis e drones, que destruiu blocos de apartamentos e levou Moscovo a disparar o seu temido míssil balístico Oreshnik contra a Ucrânia ocidental, o que suscitou a condenação da Europa. O bombardeamento ocorreu horas depois de o Kremlin ter rejeitado um plano de Kiev e dos seus aliados ocidentais para enviar forças de manutenção da paz para a Ucrânia, caso fosse alcançado um cessar-fogo.

“É necessária uma reação clara do mundo. Acima de tudo dos Estados Unidos, a cujos sinais a Rússia presta verdadeiramente atenção”, escreveu o Presidente Volodymyr Zelensky nas redes sociais. “A Rússia deve receber sinais de que é sua obrigação concentrar-se na diplomacia e deve sentir as consequências sempre que se concentrar novamente em assassinatos e na destruição de infraestruturas”, acrescentou.

Zelensky afirmou que 20 edifícios residenciais em Kiev foram danificados, acrescentando que um drone russo danificou o edifício da embaixada do Catar.

Cerca de metade dos blocos de apartamentos da capital ficaram sem aquecimento devido a “danos nas infraestruturas críticas da capital causados por um ataque inimigo maciço”, disse o presidente da cãmara Vlamidir Klitschko. O autarca apelou ainda aos “residentes da capital que têm a oportunidade de abandonar temporariamente a cidade para locais com fontes alternativas de energia e aquecimento para o fazerem”.

Rússia dispara míssil raramente utilizado


Foto: AFP

As autoridades de Kiev disseram que quatro pessoas foram mortas – incluindo um médico que morreu num edifício que foi atingido num ataque repetido – e que 24 pessoas ficaram feridas.

O bombardeamento é o mais recente a atingir a Ucrânia, numa altura em que os diplomatas lutam por uma solução para aquele que é o conflito mais mortífero na Europa desde a Segunda Guerra Mundial. A Rússia, que lançou a sua invasão em grande escala em fevereiro de 2022, não mostrou sinais de abrandar a sua ofensiva terrestre ou os bombardeamentos aéreos.

O Ministério da Defesa de Moscovo disse ter utilizado o míssil balístico Oreshnik em “alvos estratégicos” – apenas a segunda vez que a nova arma, que o Kremlin diz ser impossível de parar, terá sido utilizada. O número de unidades balísticas utilizadas não foi especificado, mas foi justificado como ” resposta ao ataque terrorista perpetrado pelo regime de Kiev” contra a residência de Putin, no final de dezembro.

As autoridades ucranianas afirmaram que um míssil balístico que viajava “a cerca de 13 mil quilómetros por hora” tinha atingido uma “infraestrutura” perto da cidade ocidental de Lviv. A agência ucraniana SBU publicou imagens de fragmentos do que disse ser o míssil, encontrados na região de Lviv, perto da fronteira da Ucrânia com a Polónia, membro da UE.

A União Europeia e a Alemanha condenaram a utilização do Oreshnik. “A utilização de um míssil Oreshnik pela Rússia é uma clara escalada contra a Ucrânia e pretende ser um aviso para a Europa e para os EUA”, afirmou a chefe da política externa da UE, Kaja Kallas, nas redes sociais, onde pediu sanções mais severas para a Rússia.

Do outro lado da fronteira, na cidade russa de Belgorod, o governador disse que mais de meio milhão de pessoas ficaram sem eletricidade ou aquecimento, após um ataque ucraniano ter atingido os serviços públicos da região.

Muito longe de um acordo

Enquanto Zelensky afirmou que um acordo entre Kiev e Washington para garantias de segurança dos EUA estava “essencialmente pronto para ser finalizado”, o chanceler alemão Friedrich Merz reconheceu que um acordo de cessar-fogo ainda estava “bastante longe”, dada a posição da Rússia. Moscovo reagiu mal depois de os líderes europeus e os enviados dos EUA terem anunciado esta semana que as garantias pós-guerra para a Ucrânia incluiriam um mecanismo de monitorização liderado pelos EUA e uma força multinacional.

Na sua primeira resposta após a cimeira de Paris, a Rússia classificou o plano de “perigoso” e “destrutivo”. As questões territoriais fundamentais também não estão resolvidas.

A Rússia, que ocupa cerca de 20% do território ucraniano, tem insistido no controlo total da região do Donbas como parte de qualquer acordo, um termo que Kiev rejeita.