É uma troca ao sabor de uma “reorientação estratégica”, para uns, ou por causa da mudança de maioria partidária, para outros. Numa votação dividida, os presidentes de câmara da Área Metropolitana do Porto aprovaram a destituição do concelho de administração da Transportes Metropolitanos do Porto e designaram uma nova cúpula da empresa que gere o sistema de bilhética Andante e a rede de autocarros da Unir.
O novo presidente da TMP é Nuno Neves de Sousa, um engenheiro que foi vereador do social-democrata Luís Filipe Menezes (PSD) entre 2002 e 2005, na primeira passagem do autarca pela câmara municipal de Gaia.
De saída está Marco Martins, o ex-autarca socialista de Gondomar, que deixou a presidência da câmara no início de 2025 (estava no final do terceiro mandato) para assumir responsabilidades na TMP. O conselho de administração a que presidia estava em funções desde Fevereiro do ano passado.
No fim de uma discussão marcada pela divisão entre autarcas do PS e do PSD, na reunião do Conselho Metropolitano desta sexta-feira, a proposta de destituição do concelho de administração da TMP foi aprovada com oito votos a favor, dois contra e sete em branco.
Além de Nuno Neves Sousa, que actualmente é director de desenvolvimento no grupo Saba (empresa de parques de estacionamento), o conselho de administração nomeado por votação em urna é composto pelos vogais executivos José Paulo Luís Ferreira (director financeiro da Sociedade de Transportes Colectivos do Porto) e Carla Vale, que já era vogal executiva na administração que foi destituída.
A troca de administração acontece no início da presidência de Pedro Duarte (PSD) do Conselho Metropolitano do Porto, num mandato em que, ao contrário do que acontecia antes das eleições autárquicas de Outubro do ano passado, os autarcas do PSD e CDS têm maioria sobre o PS.
Pedro Duarte justificou a mudança com a necessidade de “alinhar a estrutura” da TMP com o novo ciclo autárquico, embora tenha rejeitado motivações partidárias. Foram vários os autarcas do PS a questionar a motivação para a troca e os argumentos do também presidente da Câmara Municipal do Porto (CMP).
“Face à ausência de informação, estava com curiosidade em saber quais os argumentos que íamos usar para justificar a destituição com designação imediata”, introduziu o autarca de Oliveira de Azeméis, Joaquim Jorge Ferreira, do PS. Sobre a explicação de Pedro Duarte, considera-a “inovadora” e sublinhou que a TMP começava a apresentar resultados “de um trabalho de qualidade que estava a ser feito” pelo conselho de administração agora cessante.
Disse também que a adopção de “lógicas partidárias” contribuía para a “descredibilização” do trabalho dos autarcas e apontou ainda a uma prática corrente destas decisões no Conselho Metropolitano: os nomes propostos, por norma, são consensualizados antes das votações. Foi esse entendimento – que não aconteceu desta vez – que permitiu que Marco Martins, então um autarca do PS, tenha sido escolhido por unanimidade, com 12 votos dos 12 autarcas presentes.
Pedro Duarte recusa que a destituição esteja relacionada com lógicas partidárias, tanto que Luís Osório, um dos vogais que integrava o conselho de administração até agora, é tesoureiro da distrital do PSD do Porto, que é presidida pelo próprio Pedro Duarte. Reforça a necessidade de “haver uma colaboração estratégica” num “ciclo autárquico novo”, mas nota não que está em causo o mérito, desempenho ou idoneidade da liderança de Marco Martins.
Mas o autarca de Oliveira de Azeméis insistiu, socorreu-se dos documentos e citou a “reorientação estratégia” invocada para a destituição, lembrando que não foi votada em conselho metropolitano qualquer proposta nesse sentido.
“É proposto um conselho de administração mais profissional, no sentido de especialização”, respondeu o também autarca do Porto, numa discussão de quase uma hora, na qual estiveram também envolvidos os autarcas de Matosinhos, Arouca, Gaia e Valongo. O sentido das intervenções esteve alinhado com a respectiva cor partidária.
Segundo disse aos jornalistas o vice-presidente do conselho metropolitano, Amadeu Albergaria, os membros do conselho de administração cessante terão direito a uma indemnização, cujo valor ainda não foi apurado.