A presença de Rui Tavares no comício desta quinta-feira, o segundo da campanha, animou o espírito de todos os que têm acompanhado Jorge Pinto na corrida a Belém. “Foi muito bom ter o Rui Tavares no arranque desta nova fase mais intensa de comícios e apresentações públicas. Ele não esteve até agora porque esteve ausente do país”, explica ao Observador o diretor de campanha, Hélder Sousa. A presença do também fundador do Livre “trará força” à candidatura.

Rui Tavares partilha a liderança do partido com a deputada Isabel Mendes Lopes, que também se juntará aos principais eventos da campanha agendados para os próximos dias. “Tanto Rui Tavares como Isabel Mendes Lopes vão juntar-se nos próximos dias aos comícios, porque além do Livre apoiar o Jorge Pinto, o próprio Rui Tavares e Isabel Mendes Lopes são grandes apoiantes dele”, esclarece o mesmo Hélder Sousa.

“Ter dois co-porta-vozes connosco traz mais gente, traz mais presença na rua. É bom e vai ajudar a passar a mensagem de que o Jorge Pinto representa o futuro da esquerda. Rui Tavares sempre que puder estará connosco, a Isabel Mendes Lopes também. E outros deputados, como a Filipa Pinto e a Patrícia Gonçalves.”

Até lá, Jorge Pinto terá de tentar fazer a gestão de danos possível depois de ter assumido que desistiria se os rivais à esquerda fizessem o mesmo e ter ficado a falar sozinho. “Estou plenamente tranquilo com o que disse no dia 1 de novembro [quando apresentou a candidatura e propôs um pacto entre esquerdas]. Disse que vinha para marcar agenda. E vim. Consegui que os outros candidatos falassem sobre o grande risco que temos pela frente, que é o de uma revisão constitucional feita apenas pela direita. É um perigo”, despachou esta quinta-feira.

No final do dia, no comício onde estiveram reunidos cerca de 70 apoiantes, Jorge Pinto apelou aos eleitores de esquerda, dizendo-lhes que “este é mesmo o momento de recompensar uma esquerda que veio fazer diferente, uma esquerda desempoeirada que merece ter uma voz mais forte no nosso país”. “Saibamos ter os olhos e ouvidos abertos”, dramatizou Jorge pinto.

Apesar de tudo, o candidato, que é também deputado, vai preparando o terreno para um péssimo resultado. “Estou na política porque penso [em medidas] a 10 anos, 20 anos. Mesmo que isso possa representar um mau resultado eleitoral no imediato”, vai dizendo, antes de admitindo estar igualmente preparado “para ter um mau resultado”, como para ter um bom resultado.

Já quase em registo de despedida, Jorge Pinto também não se cansa de recordar que muitos antes dele foram a votos e perderam, mas continuaram na luta. “Vingaram mais tarde porque não desistiram à primeira nem segunda nem terceira vez. E muitos tornaram-se nos melhores líderes. Não se aborreçam muito de mim porque dia 19 cá continuarei”.