De um lado o “imperador da noite”, como chegou a ser chamado na Costa Azul, do outro a filha dos príncipes Rainier e Grace do Mónaco. Carolina tinha 20 anos, Phillipe Junot 36, e o que os dividia não era apenas a diferença de idades. Muita tinta correu na imprensa da época, nesses meados de 70 do século passado que assistiram ao início do controverso romance entre ambos, e que catapultou o empresário com fama de playboy para o meio mediático.

Esta sexta-feira, nas redes sociais, uma das suas filhas Victoria, anunciou a morte do antigo investidor e figura do social, que tinha 85 anos e nos últimos anos passava boa parte do seu tempo na capital espanhola. Não foram adiantadas causas.

“Com o coração partido, entristece-me anunciar a morte do meu pai. Partiu deste lado do mundo em paz, rodeado por sua família, em 8 de janeiro de 2026 em Madrid, após uma vida longa, bela e cheia de aventuras. Avô de 3, quase 4. O meu lendário pai, quanto te queremos. Sentimo-lo, não há palavras suficientes… Obrigado por todos os risos e as aventuras, por nos mostrar o seu mundo e por nos inspirar a chegar mais alto. Obrigado pelo teu amor, que nunca nos abandonará. Que privilégio ter vivido ao seu lado. Foi um verdadeiro cavalheiro. Um capítulo difícil de fechar, mas continuaremos a sorrir, a viver e a rir ao máximo, tal como ele queria que o fizéssemos.”, escreveu no Instagram.

Nos últimos anos, aliás, cabe aos filhos de Junot o papel de maior protagonismo nas páginas das revistas e nas redes sociais. Mas há mais de quatro décadas, o estilo de vida extravagante colava-se à imagem de Philippe Junot, apesar de vir de um meio privilegiado. Era filho de Michel Junot, número dois da câmara de Paris, e de Lydia Thykjær, filha de um industrial dinamarquês.

Junot e Carolina ter-se-ão conhecido no Régine, um clube noturno de Manhattan frequentado por celebridades e realeza internacional. A partir daí, Philippe tornou-se uma presença constante no mundo de Carolina, aparecendo no círculo dos Grimaldi, surgindo em eventos de alto perfil, e até garantindo um lugar na box real em torneios de ténis. Rainier e Grace assistiam aos avanços com apreensão, intervindo com planos estratégicos que visavam dissuadir a relação e sacudir o assédio dos fotógrafos. O casal acreditava que tudo não passava de um capricho da filha, fruto de rebeldia.

Grace of Monaco in New Jersey, United States in 1978.
Gamma-Rapho via Getty Images

Nas Galápagos, uma imagem icónica da juventude de Carolina e do momento de tensão

Carolina foi enviada pela primeira para um périplo pelo Equador. Não contente com a distância, Grace embarcou com a filha rumo às remotas Ilhas Galápagos. De pouco serviu a fuga: Junot enfiou-se num avião e alcançou aquele destino, garantindo a pés juntos que Carolina era a mulher da sua vida.

Depois de um breve período de noivado, a 29 de junho de 1978 o Palácio do Príncipe, no Mónaco, o mesmo local onde Rainier e Grace selaram o seu amor, acolhia um dos casamentos da década. A jovem princesa elegeu um vestido do amigo próximo da família Marc Bohan para a Christian Dior, que haveria de ditar tendências. Mais de 800 convidados escutaram o “sim”, incluindo estrelas como Ava Gardner.

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WireImage

Uma foto de família no dia da boda

Mas o conto de fadas desfeche-se em pouco tempo e o divórcio chegaria em 1980. Em 1983, Carolina casava-se em segundas núpcias com Stefano Casiraghi, uma relação tragicamente desfeita pelo acidente que vitimou o marido em 1990. Só dois anos depois chegaria a anulação oficial por parte do Vaticano do primeiro casamento, já que Carolina invocara inúmeras infidelidades do marido.

Junot voltaria a casar-se e a regressar à capa da revista Hola. Em Copenhaga, em outubro de 1987, trocaria votos com a aristocrata escandinava Nina Wendelboe-Larsen, numa pequena igreja da capital dinamarquesa. A noiva vestia uma criação Guy Laroche e uma discreta tiara. O vínculo consolidou-se entre o norte da Europa e Marbella, onde Philippe levava anos fixado e se movimentava naquele meio social. Segundo a Hola!, uma semana depois, os recém-casados ofereceram uma segunda festa no emblemático Marbella Club, pensada para os amigos que o casal tinha feito em Espanha. E aqui apareceu o ambiente festivo próprio da Costa do Sol dos 80. Entre os convidados figuravam nomes como Gunilla von Bismarck, Jaime de Mora e Aragão, Afonso de Hohenlohe ou Manolo Santana.

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Europa Press via Getty Images

Philippe Junot com Nina Wendelboe-Larsen a chegarem ao batizado da filha de Álvaro Falcó e Isabelle Junot, Philippa, em março de 2024, em Madrid.

O casal teve três filhos, Victoria, Alexis e Isabelle que aliás seria a protagonista, em 2022, de um dos casamentos do ano em Espanha. Philippe acompanhou a coach nutricional e influencer até ao altar, e foi padrinho da cerimónia com Álvaro Falcó, marquês de Cubas, filho de Fernando Falcó e Marta Chávarri. 300 convidados assistiram o momento. Chávarri, a aristocrata espanhola que agitou o jet set na imprensa cor-de-rosa no final da década de 80 (e que morreu em 2023), foi de resto outro dos nomes femininos a que se Philippe seria associado nos anos mais recentes.

Junot separou-se oficialmente da mãe dos três filhos em 1997, mas manteve um boa relação com Nina Wendelboe-Larsen, surgindo numa das últimas imagens públicas em março de 2024, por ocasião do batizado de uma das netas, filha de Isabelle e Alvaro. O terceiro enlace oficial de Junot foi em 2005, com a modelo sueca e joalheira Helen Wendel, com quem teve a sua última filha, Chloé.