A nova etapa do programa Fiocruz na Antártica (Fioantar) teve início na quinta-feira (8/1), rumo ao continente antártico. A viagem da equipe marca o começo de mais uma fase estratégica do projeto, que amplia a vigilância em saúde e aprofunda o conhecimento sobre microrganismos presentes em um dos ambientes mais extremos do planeta. A Fundação retorna à Antártica em um momento de consolidação e expansão do programa, aprovado em edital do CNPq e com vigência até 2027.

Pesquisadores da Fiocruz em trabalho de campo na Antártica (Foto: Peter Ilicciev)
O programa está na linha de frente de estudos com vírus respiratórios, como o Influenza; vírus entéricos, como rotavírus e norovírus; micobactérias e bactérias do gênero Bacillus, incluindo Bacillus anthracis e Bacillus cereus, produzindo conhecimento para o Sistema Único de Saúde (SUS). Com a partida das pesquisadoras Luciana Trilles, coordenadora do Fioantar e pesquisadora do Laboratório de Micologia do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz), e Gabriela Fróis Duarte, pesquisadora colaboradora vinculada ao Fioantar, inicia-se uma nova fase do projeto. A etapa reforça a abordagem integrada, ao ampliar metodologias, áreas de coleta e parcerias institucionais.
“O Fioantar contribui para diferentes áreas do conhecimento da ciência antártica, já que os resultados podem proporcionar uma melhor compreensão dos riscos à saúde humana e animal no ambiente antártico, considerando as ações antrópicas e as mudanças climáticas”, explica Luciana.
Ao falar sobre a abrangência do Fioantar, Trilles destaca o potencial do projeto para ampliar o entendimento sobre riscos à saúde em um cenário marcado por mudanças ambientais aceleradas. “O projeto contribuirá para o conhecimento dos agentes patogênicos presentes na Antártica, como vírus zoonóticos e patógenos fúngicos e bacterianos, e sua possível relação com a saúde humana e animal”.
Segundo a pesquisadora, “algumas das possíveis contribuições científicas deste projeto incluem: o desenvolvimento biotecnológico – por meio da caracterização da microbiota ambiental e da identificação de genes responsáveis pela produção de compostos bioativos, o projeto poderá identificar oportunidades para o desenvolvimento de biotecnologias, como a produção de moléculas com potencial antibacteriano, antifúngico, antitumoral e antioxidante”.
A expectativa é que a experiência acumulada ao longo dos últimos anos permita avançar tanto na vigilância de patógenos quanto na compreensão dos impactos das mudanças climáticas e das atividades humanas no ecossistema antártico. Outro eixo central desta fase do projeto é a bioprospecção, que busca identificar microrganismos e compostos com potencial de aplicação em saúde e inovação.
Além do avanço científico, o Fioantar se projeta como um esforço científico de múltiplas frentes. O programa reúne vigilância em saúde, pesquisa em biodiversidade microbiana e bioprospecção, com potencial impacto não apenas para a ciência antártica, mas também para a saúde pública, a biomedicina e a formulação de políticas ambientais. Desde 2019, a equipe do Fioantar publicou três artigos científicos, instalou um laboratório de biossegurança na Estação Antártica Comandante Ferraz (EACF), coletou amostras que serão estudadas por muitos anos, fortalecendo o Programa Antártico Brasileiro (Proantar), ampliou pontos de coleta e aumentou o número de laboratórios da Fundação participantes.