53% das brasileiras de 18 a 60 anos nunca foram apresentadas à terapia de reposição hormonal (TRH), o tratamento padrão ouro para amenizar os sintomas da menopausa.

A pesquisa, conduzida pela Ipsos a pedido da Bayer em agosto de 2025, revelou ainda que 22% das entrevistadas afirmaram ter medo de desenvolver câncer pelo uso da TRH, 27% acreditam que vão ganhar peso e 18% acham que o tratamento está relacionado a um aumento de risco cardiovascular.

Todas essas correlações têm origem em estudos antigos ou mal interpretados. Hoje, segundo a Sociedade Brasileira de Climatério (SOBRAC), a terapia de reposição hormonal é seguramente indicada para o alívio das ondas de calor, prevenção da osteoporose e melhora de sintomas genitais e urinários.

Riscos da TRH: o que faz sentido e o que não faz?

Não é preciso, entretanto, que a paciente sofra com todos os problemas listados para ser elegível à TRH. Se ela não tiver nenhuma contraindicação, já pode se beneficiar da terapia hormonal. Isso porque os riscos cientificamente comprovados do tratamento estão diretamente associados às contraindicações da paciente. 

Câncer de mama

Ter tido o câncer de mama é uma contraindicação, pois os hormônios podem aumentar o risco de recorrência do tumor.

“Quem não tem a doença, se usar o hormônio, pode ter um ligeiro aumento de risco, mas isso não é uma contraindicação. Essas pacientes, inclusive, são mais bem assistidas, porque fazem todos os exames e vão ao médico todo ano. Acaba-se diagnosticando mais cedo e elas têm um tratamento mais efetivo”, destaca Rodrigo Mirisola, ginecologista especializado em Reprodução Humana pela Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo).

Trombose

Outro medo comum é o de trombose. Se a paciente teve ou está com trombose, isso também é uma contraindicação para a TRH, pois o uso de hormônios pode aumentar o risco de novos eventos. 

“Se pensarmos no aumento do risco, tanto do câncer de mama quanto da trombose, que são os riscos mais claros, evidentes e preocupantes, eles também estão presentes da mesma forma nas usuárias de pílula combinada. A pílula todo mundo toma sem nenhuma preocupação, e se formos estudar, quem toma pílula tem mais risco de câncer e de trombose, mas ninguém tem esse medo de ‘não vou tomar pílula de jeito nenhum porque vou morrer de câncer’”, compara o especialista.

Problemas cardiovasculares

O risco cardiovascular associado à TRH depende do momento em que o tratamento é iniciado. Evidências indicam que esse risco é maior quando a terapia hormonal começa após a chamada “janela de oportunidade”, isto é, mais de 10 anos após o início da menopausa. Quando iniciada antes, a TRH é capaz de reduzir o risco de doença coronariana e mortalidade por causas cardiovasculares.

Ganho de peso

Não há relação científica entre a utilização de hormônio e o aumento de peso. Segundo o dr. Rodrigo Mirisola, o que pode acontecer é uma questão comportamental em que a mulher, já com um estilo de vida sedentário e um metabolismo mais lento, ganha peso naturalmente. 

Veja também: Reposição hormonal e ganho de peso: afinal, qual a relação entre eles?

Benefícios da TRH: o que a ciência confirma?

Ou seja, se não houver contraindicações, como histórico de câncer de mama e trombose, e a mulher estiver dentro da janela de oportunidade, a terapia de reposição hormonal pode ser recomendada. Os benefícios de quem utiliza a TRH em comparação com quem atravessa a menopausa sem tratamento são vários:

  • Maior proteção da saúde cardiovascular;
  • Maior proteção da saúde óssea, prevenindo a osteoporose e reduzindo o risco de fraturas;
  • Preservação da saúde genitourinária, diminuindo a secura vaginal e evitando quadros como queda da bexiga, queda do útero e perda de urina;
  • Preservação da produção de colágeno, reduzindo o ressecamento da pele e dos cabelos;
  • Melhorias na sexualidade, favorecendo a libido e a lubrificação vaginal;
  • Diminuição das ondas de calor, aumentando o bem-estar.

Veja também: Como funciona a reposição hormonal – Saúde Sem Tabu #42