O Ministério da Defesa da Síria anunciou esta sexta-feira um cessar-fogo após três dias de confrontos entre as forças governamentais e combatentes curdos na cidade de Alepo. O intensificar das tensões fez dezenas de milhares de deslocados e pelo menos 21 vítimas mortais.

Em comunicado, o ministério indicou que o cessar-fogo entrou em vigor às 03h00 nos bairros de Sheikh Maqsoud, Achrafieh e Bani Zaid.

O Governo sírio deu aos grupos armados seis horas para deixarem a área e informou os militantes que partissem que teriam permissão para levar as suas “armas leves pessoais” e seriam escoltados até ao nordeste do país, que é controlado pelas Forças Democráticas Sírias (SDF, na sigla em inglês), lideradas pelos curdos. Durante a madrugada, o governador de Alepo, Azzam al-Gharib, visitou os bairros disputados com uma escolta das forças de segurança.

As Forças Democráticas Sírias ainda não responderam oficialmente, pelo que não há confirmação de que as forças curdas tenham aceitado o acordo.

O enviado dos EUA à Síria, Tom Barrack, saudou o anúncio do cessar-fogo na rede social X, expressando “profunda gratidão a todas as partes — o Governo sírio, as Forças Democráticas Sírias, as autoridades locais e os líderes comunitários — pela contenção e boa vontade que tornaram possível esta pausa vital”.

Barrack disse ainda que os EUA estão a trabalhar com ambas as partes para prolongar o cessar-fogo para além do prazo de seis horas

Combates fizeram 142 mil deslocados
Cerca de 142 mil pessoas tiveram de deixar as suas casas devido aos combates que eclodiram na terça-feira, com trocas de bombardeamentos e ataques com drones.

As forças governamentais e os combatentes curdos trocaram acusações sobre quem iniciou a violência e sobre ataques deliberados a bairros civis e infraestruturas, incluindo a equipas de emergência médica e hospitais.

Segundo as forças curdas, pelo menos 12 civis foram mortos nos bairros de maioria curda, enquanto as autoridades governamentais relataram que pelo menos nove civis morreram nas áreas vizinhas controladas pelo Governo durante os combates. Houve ainda dezenas de feridos de ambos os lados. Os confrontos ocorrem numa altura de impasse nas negociações políticas entre o Governo central e as Forças Democráticas Sírias.

A liderança em Damasco, sob o comando do presidente interino Ahmad al-Sharaa, assinou um acordo em março do ano passado com as SDF, que controlam grande parte do nordeste, para que estas se fundissem com o Exército sírio até ao final de 2025.

Apesar do apoio de longa data dos EUA às SDF, a Administração de Donald Trump também desenvolveu laços estreitos com o Governo de al-Sharaa e pressionou os curdos a cumprirem o acordo de março.Presidente da Síria recebe von der Leyen e Costa

O presidente sírio Ahmad al-Chareh recebe esta sexta-feira, em Damasco, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, a mais alta autoridade da UE a visitar a Síria desde a queda de Bashar al-Assad no final de 2024.


A líder europeia está a realizar uma viagem pela região na companhia do presidente do Conselho Europeu, António Costa.

A União Europeia suspendeu todas as sanções económicas impostas pelo regime de Al-Assad a 20 de maio do ano passado. Em março, Bruxelas prometeu fornecer quase 2,5 mil milhões de euros à Síria ao longo de dois anos.

c/ agências