Esta quinta-feira, Jorge Rodríguez, recém-eleito presidente da Assembleia Nacional e irmão da Presidente interina Delcy Rodríguez, anunciou que um “número importante de pessoas venezuelanas e estrangeiras” seria libertado das prisões do país, num ato que descreveu como “um gesto”. No entanto, ao longo do dia, oficialmente só se confirmou a libertação de cinco espanhóis pelas autoridades de Madrid.
A saída dos espanhóis da prisão foi revelada pelo ministro dos Negócios Estrangeiros do país, José Manuel Albares, citado pelo jornal El Mundo enquanto falava à emissora pública RNE, tendo garantido depois que todos estavam bem “dentro das possibilidades”.
Um deles é Rocío San Miguel, líder da organização não-governamental Controlo Cidadão, éuma analista política descrita pelo El País como sendo “perita em assuntos militares venezuelanos”. Em fevereiro de 2024, San Miguel, que tem dupla nacionalidade, tinha sido presa pelo regime por suspeitas de participar numa alegada conspiração para assassinar Nicolás Maduro, denominada “Bracelete Branca”. Na altura, a Amnistia Internacional chegou mesmo a pedir, nas redes sociais, que Rocío fosse libertada.
Outros dois tinham visitado o país como turistas, mas acabaram presos. José María Basoa e Andrés Martínez Adasme foram detidos e acusados em setembro de 2024 pelo ministro da Administração Interna e Justiça da Venezuela, Diosdado Cabello, de pertencer à espionagem espanhola e de também estarem a participar num plano para matar Nicolás Maduro.
Outro dos libertados foi detido em águas disputadas entre a Guiana e a Venezuela. Miguel Moreno Dapena, marinheiro e jornalista, estava a bordo de um navio à procura de destroços de barcos da Segunda Guerra Mundial e que foi intercetado pela marinha venezuelana, que considerou que o movimento era “muito suspeito”.
Já Ernesto Gorbe Cardona tinha sido detido em dezembro de 2024 após o seu visto no país ter expirado, com o El Mundo a noticiar que lhe foi “aplicado a habitual extorsão policial”.
Entretanto, na rede social X, Albares revelou que os cinco espanhóis já estavam de saída da Venezuela e de regresso a território espanhol. “Em breve estarão em casa com os seus entes queridos. Falei com eles para lhes transmitir a minha alegria pela sua libertação”, acrescentou o ministro.
Vuelan ya hacia España los 5 compatriotas liberados hoy en Venezuela. Pronto estarán en casa con sus seres queridos.
He hablado con ellos para transmitirles mi alegría por su liberación.
Agradezco a @EmbEspVenezuela y todos los que han contribuido a que haya sido posible.
— José Manuel Albares (@jmalbares) January 8, 2026