Acompanhe aqui o nosso artigo em direto da intervenção dos EUA na Venezuela

Rocío San Miguel, uma das mais conhecidas especialistas em segurança e defesa e, nos últimos quase dois anos, uma das presas políticas do regime chavista, foi libertada esta quinta-feira pelas autoridades venezuelanas. A informação foi confirmada pela família à imprensa e pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros de Espanha, país de que San Miguel também é cidadã. A libertação ocorre num momento político frágil, dias depois da captura de Nicolás Maduro pelas forças norte-americanas.

Com 59 anos, San Miguel é advogada de formação e uma analista política descrita pelo El País como sendo “perita em assuntos militares venezuelanos“. Até à data da sua detenção, em fevereiro de 2024, era presidente da organização não-governamental Controlo Cidadão, uma associação dedicada à monitorização das Forças Armadas e à denúncia do uso excessivo da força por parte dos serviços de segurança do Estado.

A analista foi detida pelo regime venezuelano por suspeitas de participar numa alegada conspiração para assassinar Nicolás Maduro, a chamada operação “Bracelete Branca“. As autoridades acusaram-na de “terrorismo, traição à pátria e conspiração”. O seu antigo companheiro, um oficial militar aposentado, acabou por ser igualmente preso no âmbito do mesmo processo. Na altura, a Amnistia Internacional chegou mesmo a pedir, nas redes sociais, que Rocío fosse libertada.

Durante o período em que esteve detida em Caracas apenas recebeu visitas regulares da filha, segundo familiares e organizações de direitos humanos.

A prisão de Rocío San Miguel provocou indignação de vários ativistas e organizações não-governamentais. Até então, acreditava-se que o “perfil moderado“, a projeção internacional e os contactos no meio das próprias Forças Armadas garantiriam à analista alguma proteção. “Se isto aconteceu à Rocío San Miguel, então o que resta para todos os outros?”, questionou na altura Laura Dib, diretora do programa da Venezuela no Washington Office on Latin America, citada pelo New York Times. Para muitas organizações, a detenção marcou uma nova fase de repressão na Venezuela.

Rocío San Miguel “foi vítima de um processo que criminaliza a defesa dos direitos humanos, procurando silenciar a sua voz”, escreveu, também, o Observatório de Prisões da Venezuela na rede social X.

A libertação de Rocío San Miguel integra o primeiro grupo de presos libertados pelo novo poder interino, liderado por Delcy Rodríguez. Segundo a publicação do ministro dos Negócios Estrangeiros espanhol na rede social X, são cinco cidadãos espanhóis, todos “em bom estado de saúde”.

De acordo com a organização não-governamental Foro Penal, citado pelo El País, contabilizam-se mais de 18 mil detenções por motivos políticos desde 2014. Atualmente, pelo menos 863 pessoas estão presas, entre dirigentes partidários, ativistas, jornalistas e manifestantes.