A visita de António José Seguro à Câmara da Figueira da Foz não estava na agenda e apareceu a última hora, depois de o encontro ter sido pedido pelo candidato presidencial. Pedro Santana Lopes abriu as portas da Câmara não revelando se fará o mesmo com outros candidatos. Sublinhou que não é uma expressão de apoio à candidatura, mas não podia ter parecido mais.
Foram oito minutos de elogios rasgados ao socialista e uma declaração de confiança como não fez ao candidato apoiado pelo seu antigo partido (e que já liderou), Luís Marques Mendes. “Não tenho dúvidas de que se ganhar, a Presidência da República ficará bem entregue por todas as razões e mais alguma.” E quando questionado sobre se Marques Mendes em Belém o deixaria intranquilo, Santana fugiu: “Hoje é o António José Seguro que está aqui e não vou falar de outros”.

VASCO COELHO/OBSERVADOR
Santana Lopes desfiliou-se do PSD em 2018, para fundar o Aliança (de que se desfiliou também entretanto), mas desta vez recandidatou-se pelo partido à Câmara da Figueira. Ele próprio chegou a ponderar uma candidatura a Belém, quando Marques Mendes já era uma candidato certo, mas acabou por não avançar e, desde então, tem feito algumas declarações mais ou menos elogiosas a candidatos como João Cotrim Figueiredo ou ao almirante Gouveia e Melo. E agora Seguro, que aceitou receber na Câmara.
Seguro estava sentado ao lado, num sofá no gabinete do presidente Santana e ouvia-o referir-se a ele como “um homem sério e competente”, que tem “uma vida cívica e profissional impolutas” e que é “uma pessoa que oferece todas as garantias de idoneidade para exercer as mais altas funções”. Recordou até o que dizia o seu pai: “Se queres fazer uma coisa, faz com categoria.” Para logo a seguir acrescentar que Seguro “é uma pessoa que está sempre com categoria”
Parecia um apoio à candidatura, mas Santana fez questão de sublinhar que não se tratava de nada disso: “Não estou a expressar o voto, só para a semana”. Ainda assim, quando foi questionado sobre se esta visita poderia cair mal no partido que já liderou, o PSD, o ex-primeiro-ministro disparou: “Sou um homem livre.”
Já António José Seguro saiu satisfeito com a visita e pouco preocupado com o eventual impacto negativo que ela possa vir a ter à esquerda. Questionado pelos jornalistas sobre isso, o socialista disse que “todos são bem vindos” e que se dirige “a todos os portugueses democratas, progressistas e humanistas”. Um “apelo” alargado “porque o tempo não está para brincadeiras”, disse ainda antes de descer a escadaria da Câmara ao lado de Santana e despedirem-se com um grande abraço à porta do edifício.
Ao lado de Santana tinha já revelado a sua “muita, muita, muita estima” pelo antigo líder do PSD com quem trabalhou de forma mais estreita durante a reforma do Parlamento que coordenou, numa altura em que Santana era líder parlamentar. E devolveu-lhe os elogios que ouviu, dizendo que o antigo líder do PSD tem “grande lucidez e é muito arguto a compreender a vida na nossa sociedade”.
Tiveram uma reunião “muito, muito interessante”, disse aos jornalistas no final de uma visita que surge quando está destacado em algumas sondagens — o que Santana também notou, embora tenho logo acrescentado que não é por essa aparente vantagem de Seguro que o recebera ali na Câmara: “Foi uma coincidência.”
Ouça aqui a reportagem da Rádio Observador.
Santana “o homem livre” entra na campanha ao lado de Seguro, candidato “categoria”