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Um estudo analítico, baseado em seis artigos científicos da Europa e dos Estados Unidos, comprovou as implicações cardiovasculares que o uso dos esteroides anabolizantes causam.
Os trabalhos analisados foram realizados entre 2023 e 2025 por pesquisadores de entidades reconhecidas, como a American Heart Association, American College of Cardiology, European Heart Society e National Library of Medicine.
A conclusão é de há consenso de que a administração prolongada dessas substâncias como acarretar as seguintes consequências (entre outras): hipertrofia ventricular patológica e cardiomiopatia; disfunção ventricular esquerda e direita; maior probabilidade de morte súbita cardíaca; alterações adversas na produção de lipídios e na pressão arterial; fenômenos ateroscleróticos precoces e fibrose.
A hipertensão arterial, aliás, pode ser um gatilho para a hipertrofia ventricular, muito recorrente entre usuários assíduos de anabolizantes. A justificativa é multifatorial, mas quem toma anabolizantes estimula também a atividade do sistema nervoso simpático, a retenção de sódio e água nos rins, o que favorece o aumento da pressão.
A hipertrofia ventricular é o espessamento anormal do músculo cardíaco. É decorrente do esforço do coração frente à “carga extra” à qual é submetido, geralmente consequêncira da hipertensão, que o força a trabalhar contra uma resistência maior. Esse processo chega a ocasionar adulterações alterações estruturais e funcionais no órgão, potencializando a ocorrência de insuficiências cardíacas, arritmias, eventos vasculares e até morte súbita.
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Risco de morte
Os anabolizantes são hormônios derivados da testosterona. Eles promovem a divisão e o crescimento celular, desenvolvendo, especialmente, músculos. Por isso são utilizados para fins estéticos, com o intuito de obter resultados rápidos em treinos de musculação. Mas a relação custo-benefício dessa equação não fecha.
Mortes súbitas cardíacas não são raras entre fisioculturistas, com incidência muito superior em relação aos amadores que praticam o esporte. E não é difícil saber porque: infelizmente, apesar da proibição de prescrição para fins estéticos (Conselho Federal de Medicina, em 2023), é notório que entre adeptos o consumo é usual.
Ainda de acordo com pesquisas, achados em autópsias daqueles que utilizavam a substância e morreram incluem cardiomegalia e hipertrofia ventricular, frequentemente associada ao uso dos esteroides.
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Uma das pesquisas identificou 121 óbitos, sendo que 73 foram consideradas mortes súbitas, das quais 46 classificadas como mortes súbitas cardíacas (MSC), incluindo a de 11 atletas. As autópsias disponíveis de casos de MSC mostraram consistentemente cardiomegalia e hipertrofia ventricular.
Outra preocupação é que a cessação não necessariamente elimina riscos cardiovasculares. Os pesquisadores apuraram exemplos de cardiomiopatia biventricular severa tanto em quem usava anabolizantes como naqueles que haviam interrompido o ciclo.
Diante de tantas evidências, não há dúvidas de que profissionais e entidades de saúde, comunidades de fisiculturismo e autoridades devem se mobilizar para alertar a população a respeito dos perigos reais que a substância acarreta. As conclusões dos trabalhos provam a necessidade de medidas preventivas urgentes e de monitoramento médico e clínico para aqueles em cujo meio esportivo ministrar anabolizantes é prática comum.
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Há muito desconhecimento sobre os reais danos dos esteroides anabolizantes. Grande parte desses consumidores são mal orientados e até inspirados por exemplos de corpos musculosos e aparentemente sadios, mas que escondem fragilidades cardiovasculares extremas e irreversíveis.
*Diandro Mota é cardiologista e assessor científico parai Tecnologia e Inovação da SOCESP – Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo.
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