Os limites e os desafios dessa estratégia
Apesar do entusiasmo, os próprios pesquisadores reconhecem que o caminho está longe de ser simples. O APOE tem papel fundamental no transporte de colesterol e outras gorduras pelo corpo e pelo cérebro, o que torna inviável simplesmente “desligar” o gene. Além disso, mais de 99% da população carrega pelo menos uma das variantes APOE3 ou APOE4, o que significa que qualquer estratégia preventiva baseada nesse alvo envolveria tratar praticamente toda a população.
O estudo também não afirma que o Alzheimer seja uma doença causada por um único fator. Os autores ressaltam que se trata de uma condição multifatorial, influenciada por idade, estilo de vida, doenças cardiovasculares e outros genes.
O trabalho gerou reações cautelosas. Ao The Guardian, Tim Frayling, professor de genética humana da Universidade de Genebra, diz que afirmar que mais de 90% dos casos de Alzheimer não ocorreriam sem o APOE é comparável a dizer que a maioria das mortes no trânsito não existiria sem carros.
Já Tara Spires-Jones, professora da Universidade de Edimburgo, destacou ao jornal britânico que compreender os fatores que tornam o cérebro vulnerável ao Alzheimer é essencial para o desenvolvimento de estratégias eficazes de prevenção e tratamento. Em linha semelhante, a médica Sheona Scales, da Alzheimer’s Research UK, lembrou que nem todas as pessoas com essas variantes genéticas desenvolverão demência, já que outros fatores também influenciam o risco da doença.
Na prática, nada muda imediatamente para quem se preocupa com o risco de Alzheimer. Não existem testes terapias prontas baseadas nesse gene.