O Irão tem um longo historial de agitação social, agravado nos últimos anos por protestos contra a teocracia vigente. A mais de 11 mil quilómetros, a operação militar dos Estados Unidos da América (EUA) em Caracas, que resultou na captura do Presidente Nicolás Maduro e da sua mulher, lembrou à teocracia iraniana, já a braços com tumultos internos e uma crise económica, como os EUA podem assombrar regimes.
Donald Trump fez uma segunda ameaça ao Irão em menos de uma semana, voltando a prometer que, se as autoridades matarem manifestantes, os EUA retaliarão. Para os politólogos, trata-se de uma tentativa de pressionar por um efeito dominó em Cuba, noutros lugares da América Latina e do mundo.
Protestos eclodiram por todo o território iraniano nos últimos dias, intensificando a pressão sobre um Governo que tem sido ineficaz a responder à desvalorização acentuada da moeda, o rial. De início pacífico e localizado, o movimento começou com comerciantes descontentes, mas as manifestações espalharam-se rapidamente por todo o país, com a adesão de outros segmentos da população, levando a distúrbios em 88 cidades de 27 das 31 províncias iranianas. O regime acabou por mobilizar a força paramilitar Basij, da Guarda Revolucionária Islâmica, para reprimir centenas de pessoas.
Após nove dias de protestos, pelo menos 29 manifestantes foram mortos e quase 1200 detidos. As forças de segurança iranianas reprimiram as manifestações, chegando a invadir um hospital em Ilam, onde detiveram manifestantes feridos.
“A situação é imprevisível”, caracteriza o investigador Kaveh Ehsani, da Universidade DePaul, que estuda o impacto histórico e contemporâneo do petróleo na sociedade e na política. Não quer isto dizer, no entanto, que o regime esteja necessariamente à beira do colapso. “Não tenho tanta certeza disso, embora vivamos num mundo onde tudo parece possível e em que todas as normas e cálculos existentes se estão a evaporar diariamente”, assume Ehsani.
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