O Presidente norte-americano, Donald Trump, insistiu que pretende chegar a um acordo com a Dinamarca para adquirir a Gronelândia e garantiu que o fará “de forma branda ou dura”, após a recusa de Copenhaga em vender.

“Também sou fã da Dinamarca, devo dizer, e têm sido muito simpáticos comigo”, vincou o presidente norte-americano aos jornalistas na Casa Branca na sexta-feira. “Mas, sabem, só porque desembarcaram ali de barco há 500 anos, não significa que sejam donos do território”, acrescentou.

O líder norte-americano tem preocupado os aliados ao recusar-se a descartar o uso da força militar para tomar à Dinamarca este território autónomo, membro da NATO. Trump afirma que o controlo desta ilha rica em recursos é crucial para a segurança nacional norte-americana, dada a crescente ameaça representada pela Rússia e pela China no Ártico.

A NATO está a trabalhar para reduzir o interesse de Washington na Gronelândia, enfatizando as medidas que tomadas para reforçar a segurança na região e o secretário-geral da NATO, Mark Rutte, falou na sexta-feira com o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, sobre esse reforço.

A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, alertou que um ataque militar norte-americano para tomar a Gronelândia pode significar o fim da aliança militar ocidental com 76 anos. Mas o comandante das forças da NATO na Europa, o general norte-americano Alexus Grynkewich, garantiu na sexta-feira que a aliança está longe de estar em crise.

“Até à data, isso não teve impacto no meu trabalho a nível militar, por isso diria simplesmente que estamos prontos para defender cada centímetro da Aliança, hoje como sempre”, frisou o líder de operações da organização, sobre as declarações de Trump.

A Casa Branca, embora não tenha descartado a opção militar, indicou que Trump estava ativamente a ponderar a compra da vasta ilha ártica, sem especificar que forma poderia fazer esta transação. Além disso, Donald Trump reconheceu, numa entrevista dada na quinta-feira ao jornal The New York Times, que talvez tenha de escolher entre preservar a integridade da NATO e controlar o território dinamarquês.

Futuro da “é decidido em diálogo”

Por sua vez, os líderes dos cinco partidos políticos representados no Parlamento da Gronelândia (Inatsisartut) defendem o direito dos habitantes deste território autónomo dinamarquês a decidirem o seu futuro face às ameaças do Presidente norte-americano.

“O futuro da Gronelândia deve ser decidido pelos gronelandeses. A tarefa de determinar o futuro da Gronelândia é realizada em diálogo com o seu povo e com base no direito internacional e no Estatuto de Autonomia. Nenhum outro país pode interferir nisto”, destacaram os líderes do partido, numa declaração conjunta divulgada na sexta-feira, antes ainda de Trump ter afirmado que pretendia “fazer alguma coisa” em relação à ilha ártica, “a bem ou a mal”.

O texto sublinha que esta decisão deve ser tomada sem pressões e sem a ingerência de outros países, e expressa o desejo de que se ponha fim ao desprezo demonstrado pelos Estados Unidos em relação a esta ilha do Ártico.

“Não queremos ser americanos, não queremos ser dinamarqueses, queremos ser gronelandeses”, sublinha a declaração assinada pelo primeiro-ministro da Gronelândia, Jens-Frederik Nielsen, e também endossada por Pelle Broberg, líder do Naleraq, o segundo maior partido no Parlamento e o que demonstrou maior compreensão em relação aos Estados Unidos.

Os líderes gronelandeses reiteram que o território é governado pelo direito internacional e pelo seu Estatuto de Autonomia, e que os seus habitantes elegem o seu Parlamento e Governo, que “colabora e continuará a colaborar com os Estados Unidos e os países ocidentais”.

A declaração insta ao diálogo “baseado na diplomacia e nos princípios internacionais” e sublinha que este é o caminho “entre aliados e amigos”. E aponta ainda: “continuaremos a trabalhar para desenvolver as possibilidades de alcançar a segurança do nosso povo”, sublinham os políticos no texto intitulado “Somos um só povo”.