Música - Discos mais caros Foto: blocks [via Unsplash]

No mercado dos colecionadores, o que faz um disco de vinil de segunda mão valer mais? Seu estado de conservação (quanto mais antigo, mais valioso será, se estiver novinho), o número de cópias prensadas e, a exemplo dos livros, qual a sua edição. Em alguns casos, até mesmo defeitos fazem seu preço subir, como um nome de artista ou música escrito errado, por exemplo, e depois corrigido em prensagens posteriores. Há vários casos, também, em que discos são lançados com tracklists ou capas diferentes em determinados países.

Melhores álbuns 2025

Você leu certo, amado e crítico leitor. Ser um artista superfamoso não é um indicador para tornar um vinil caríssimo. Prova disso é que o exemplar mais caro da história do Discogs, o maior banco de dados para colecionadores do planeta, foi de um artista chamado Scaramanga Silk. O item, que já não pertencia mais ao próprio artista, foi arrematado por 41 mil dólares. O motivo? Apenas uma cópia foi prensada. A carreira não deu muito certo e o tal Scramanga foi fazer outra coisa da vida.

Acompanhar a lista de mais valiosos do Discogs sempre rende histórias divertidas. Em 2025, não foi diferente. Em seu relatório anual, a plataforma divulgou uma lista com os discos mais caros do ano. E quem ficou em primeiro lugar é praticamente desconhecido. Pelo menos pela música.

The Fix – Vengeance15 mil dólares (aproximadamente R$ 81 mil)

Steve Miller é um jornalista musical reconhecido nos Estados Unidos. Lançou dois livros bem bacanas, Detroit Rock City e Touch and Go: The Complete Hardcore Punk Zine ’79–’83. Antes de se aventurar na caneta, no entanto, o cara teve uma banda punk chamada The Fix, que lançou um compacto de estreia em 1981. Foram prensadas somente 200 cópias, e 15 delas foram para o lixo, por problemas de qualidade. Um colecionador colocou à venda um exemplar em estado de novo. E o leilão acabou em incríveis 15 mil doletas, tornando-o o disco mais caro do ano, na plataforma.

The Velvet Underground & Nico – The Velvet Underground & Nico6.621 dólares (aproximadamente R$ 35,7 mil)

O álbum de 1967 do Velvet Underground é um recordista de preço há tempos. Primeiro porque a capa (aquela da banana) foi criada por ninguém menos que Andy Warhol. Segundo porque, na versão original, a casca da fruta era um adesivo. O fã escolhia descascá-la ou não, o que faz com que os exemplares intactos (que resistiram aos dedinhos curiosos) valham ainda mais. No entanto, o álbum vendido em 2025 via Discogs ganhou preço porque se trata de uma versão com erro de impressão. Na contracapa, o rosto do baixista Eric Emerson saiu zoado e, sob ameaça de processos, a gravadora recolheu o lote e o destruiu, restando somente algumas cópias, compradas por fãs antes de serem recapturadas nas prateleiras das lojas.

The Beatles – Please Please Me6.600 dólares (aproximadamente R$ 35,6 mil)

O primeiro disco dos Beatles, lançado em 1963, faz qualquer colecionador babar. E se, ainda por cima, for a primeira prensagem do compacto de estreia da banda mais famosa do planeta, em estado novinho? Foram necessários mais de 35 mil reais para arrematar essa cópia, que ainda conta com uma particularidade: somente na primeira prensagem o selo do disco é diferente, em preto e dourado, com o logotipo da gravadora Parlophone.

Gorilla Biscuits – Gorilla Biscuits6.500 dólares (aproximadamente R$ 35 mil)

Em 2025, fãs de hardcore não economizaram na hora de completar suas coleções. Além de terem pago o preço mais alto do ano pelo campeão The Fix, também colocaram em quarto lugar no ranking o álbum de 1988 do Gorilla Biscuits. O preço também foi alancavado por um erro de prensagem. Algumas cópias saíram acidentalmente com o vinil azul.

Olivia Newton-John – Xanadu6.500 dólares (aproximadamente R$ 35 mil)

Empatado com o Gorilla Biscuits, esse disco apareceu à venda em 2025 pela primeira vez. A versão em picture disc, com impressão no próprio vinil, de Xanadu, jamais foi lançada comercialmente. Foram afeitas apenas algumas cópias em 1980 para usar como presente promocional a estúdios, rádios e formadores de opinião.

Misfits – Earth A.D./Wolfs Blood6.500 dólares (aproximadamente R$ 35 mil)

Para um bom (e endinheirado) colecionador, qualquer pequeno detalhe é importante. O álbum de 1983 da fase áurea dos Misfits foi produzido com a capa em preto ou verde, dependendo da edição. Mas algumas cópias, muito raras, chegaram às lojas com a impressão em verde musgo. São essas as que os colecionadores querem. E por isso, pagam uma bolada.

Pink Floyd – Wish You Were Here6.395 dólares (aproximadamente R$ 34,5 mil)

O Japão é dono de uma dos maiores mercados de colecionadores de música do mundo. Por isso, as gravadoras são acostumadas a lançar itens exclusivos, com mais capricho, acabamentos luxuosos e edições limitadas. É o caso da prensagem de Wish You Were Here, de 1984. Somente em terras japonesas, saiu em vinil vermelho-sangue, além de capas e encartes especiais. Virou raridade e apareceu à venda no Discogs, rapidamente arrematado como um dos discos mais caros do ano.

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Jota Wagner

Jota Wagner escreve, discoteca e faz festas no Brasil e Europa desde o começo da década de 90. Atualmente é repórter especial de cultura no Music Non Stop e produtor cultural na Agência 55. Contribuiu, usando os ouvidos, os pés ou as mãos, com a aurora da música eletrônica brasileira.