O CEO da Tesla, Elon Musk, redefiniu as expectativas para a condução autónoma, estabelecendo um novo e ambicioso marco de dados necessários para o desenvolvimento do sistema. Este novo valor sublinha os enormes desafios que ainda persistem no desenvolvimento da tecnologia Full Self-Driving (FSD).
A complexidade do mundo real dita novas regras
Numa recente publicação na rede social X, Elon Musk afirmou que serão necessários aproximadamente 16 mil milhões de quilómetros (o equivalente a 10 mil milhões de milhas) de dados de treino para que o sistema FSD atinja um nível de segurança que permita a sua utilização sem supervisão.
Segundo o empresário, a justificação para um volume de dados tão colossal reside na “cauda super longa da complexidade” que caracteriza a condução no mundo real.
O comentário de Musk surgiu em resposta a uma análise de Paul Beisel, um antigo engenheiro da Apple e da Rivian. Beisel defendia que a Tesla detém uma vantagem competitiva inegável, assente na recolha massiva de dados, e que seria “profundamente ingénuo” acreditar que os seus rivais conseguiriam replicar este avanço rapidamente, recorrendo apenas a simulações e a uma exposição limitada à estrada.
Isto não é um problema de demonstração. É um problema de escala, dados e iteração.
Escreveu Beisel.
A nova estimativa de Musk representa um aumento considerável face à sua previsão anterior, delineada no “Master Plan Part Deux“, onde apontava para cerca de 9,6 mil milhões de quilómetros (6 mil milhões de milhas) como o valor necessário para obter aprovação regulatória a nível mundial.
Roughly 10 billion miles of training data is needed to achieve safe unsupervised self-driving. Reality has a super long tail of complexity.
— Elon Musk (@elonmusk) January 8, 2026
O avanço da Tesla e a distância para os rivais
No final de 2025, a frota da Tesla já se aproximava dos 11,3 mil milhões de quilómetros percorridos com o FSD ativo, um marco que foi ultrapassado poucos dias depois. Uma porção significativa deste total, mais de 4 mil milhões de quilómetros, foi acumulada em ambientes urbanos, que são consideravelmente mais complexos para os sistemas de condução autónoma.
Estes números posicionam a Tesla, de forma incontestável, como a empresa com o maior volume de dados de treino do mundo para o seu programa de autonomia.
A dificuldade em alcançar a autonomia total não reside nos primeiros 99% do desenvolvimento, mas sim no último 1%, onde se encontram os cenários mais raros, imprevisíveis e difíceis de resolver. Este conceito é conhecido como a “cauda longa da distribuição”.
Elon Musk referiu-se a este desafio recentemente ao comentar o programa Alpamayo da Nvidia, afirmando que “eles descobrirão que é fácil chegar aos 99%, mas super difícil resolver a cauda longa da distribuição”.
Esta perspetiva foi corroborada por Ashok Elluswamy, Vice-Presidente de Software de IA da Tesla, que acrescentou no X que “a cauda longa é tãoooo longa, que a maioria das pessoas não a consegue compreender“.
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